O Advogado Santanense, Fabio Correa dos Santos, procurador de Cristiano Atelier Roratto, indiciado no Inquérito Policial que apura o incêndio ocorrido na Pousada Garoa, vem a público manifestar-se diante dos novos elementos revelados pela Comissão Parlamentar de Inquérito instaurada na Câmara Municipal de Porto Alegre.
É imperioso destacar que, em apenas um mês de trabalho, a Comissão Parlamentar de Inquérito – CPI, avançou mais do que a Polícia Civil conseguiu em um ano inteiro de investigação. A CPI produziu provas novas que as defesas vinham requerendo há meses, identificando o principal suspeito de atear fogo na pousada e colhendo depoimentos de sobreviventes da tragédia que jamais haviam sido ouvidos pela autoridade policial.
As imagens agora incorporadas à investigação, que mostram um indivíduo trajando camiseta clara em evidente fuga da Pousada Garoa no exato momento do início do incêndio, somadas aos depoimentos prestados perante a CPI, especialmente o do porteiro Bruno, reforçam de forma inconteste a tese sustentada desde o início pela defesa: trata-se de um incêndio criminoso praticado por terceiro não identificado, cuja presença foi registrada no local pouco antes do sinistro e que não mais retornou após o início das chamas.
O próprio porteiro, em seu depoimento, foi claro ao relatar que:
• o fogo teve início em um cômodo que funcionava como depósito, e não era ocupado por moradores;
• o ambiente da pousada era marcado por tráfico e consumo de entorpecentes, com a presença de indivíduos ameaçando outros residentes;
• havia, inclusive, um homem vinculado a facção criminosa, que fazia ameaças e afirmava já ter cometido homicídios, configurando um contexto de intimidação e insegurança generalizada.
As gravações captadas por câmeras de segurança próximas ao local, aliadas às imagens de um posto de combustíveis nas imediações, confirmam que este indivíduo de camiseta amarela tentou ingressar na pousada pelos fundos e, frustrado, deixou o local em atitude suspeita momentos antes da tragédia — fato já relatado por frentistas em depoimentos à Polícia Civil.
Diante disso, a defesa requer ao 2º juizado da 3 Vara do Tribunal do Juri, a imediata reabertura do Inquérito Policial, com o objetivo de:
• identificar o indivíduo de amarelo, flagrado pelas imagens;
• realizar perícia técnica aprofundada para rastrear sua movimentação e eventual envolvimento direto com o início do incêndio;
• e apurar a dinâmica criminosa presente na pousada, conforme relatado por testemunhas oculares.
Não se pode admitir que Cristiano Atelier Roratto seja responsabilizado criminalmente por um fato cuja autoria, materialidade e circunstâncias apontam claramente para terceiro estranho à sua pessoa.
A defesa reitera, por fim, que a apuração rigorosa da verdade real é essencial para que se faça justiça, afastando imputações levianas e fundamentadas em premissas frágeis, e garantindo que os verdadeiros responsáveis por tamanha tragédia sejam identificados e punidos na forma da lei.
Fabio Correa dos Santos – OAB/RS 45.916
Velazco Correa Advogados Associados
Porto Alegre, 1º de abril de 2025.
