Como líder da oposição, expresso veementemente minha preocupação com as recentes declarações da ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, incentivando os trabalhadores a aderirem ao novo programa de empréstimo consignado com garantia do FGTS, apelidado de “empréstimo do Lula”. Essa postura é alarmante por diversos motivos que afetam diretamente a vida financeira dos brasileiros.
Primeiramente, é evidente o caráter eleitoreiro dessa iniciativa. Utilizar um programa de crédito como ferramenta política, especialmente em um momento de baixa popularidade do presidente, demonstra uma tentativa de angariar apoio popular sem considerar as reais implicações econômicas para a população. Tal estratégia é irresponsável e desrespeita a inteligência dos trabalhadores brasileiros. Se o governo federal estivesse realmente interessado no bem-estar dos brasileiros, permitiria o acesso ao dinheiro que é direito de todo o trabalhador com carteira assinada.
Além disso, essa medida fere o princípio da impessoalidade que deve nortear a administração pública. Ao personalizar um programa governamental com o nome do presidente, cria-se uma associação indevida entre a figura do chefe do Executivo e uma política pública, comprometendo a neutralidade e a transparência que são essenciais na gestão dos recursos públicos.
Outro ponto crítico é o incentivo ao endividamento da população. Em um cenário econômico já desafiador, estimular os trabalhadores a contraírem mais dívidas pode agravar a situação financeira das famílias, levando a um ciclo perigoso de inadimplência e instabilidade econômica. É fundamental que políticas públicas promovam a educação financeira e o consumo consciente, em vez de encorajar soluções que podem trazer alívio momentâneo, mas resultam em consequências negativas no longo prazo. Além disso, as taxas de juros oferecidas estão longe de ser realmente atrativas se levarmos em conta o baixo risco assumido pelas instituições financeiras na concessão dos empréstimos.
Ademais, a utilização do FGTS como garantia para esses empréstimos coloca em risco um dos principais patrimônios do trabalhador. O FGTS foi criado para servir como uma reserva financeira em momentos de necessidade, como na aposentadoria ou em casos de demissão sem justa causa. Comprometer esse recurso em operações de crédito pode deixar o trabalhador desamparado em situações futuras, minando a segurança financeira que o fundo pretende assegurar.
É pertinente destacar que especialistas já alertaram para os riscos dessa modalidade de crédito. O uso do FGTS como garantia em empréstimos consignados pode resultar em perdas significativas para o trabalhador, comprometendo sua estabilidade financeira em momentos críticos. A responsabilidade fiscal e a proteção das famílias contra o superendividamento devem sempre prevalecer sobre interesses políticos momentâneos.
Deputado Federal Zucco (PL-RS)
Líder da oposição na Câmara dos Deputados