Edição de Chico Bruno
Manchetes dos jornais
CORREIO BRAZILIENSE – Casos de bullying crescem 243% em um ano no DF
FOLHA DE S. PAULO – Prefeitos de cidades pequenas no Brasil têm salários de até R$ 25 mil
O GLOBO – ICMS zero para alimentos esbarra em restrição de caixa dos estados
O ESTADO DE S. PAULO – Governo aposta em pacote de crédito para baixar juro em 1/3
Valor Econômico – Inflação leva consumidor a cortar itens, trocar marcas e recorrer mais ao atacarejo
Destaques de primeiras páginas e fatos mais importantes
Assédio – As denúncias em escolas do Distrito Federal passaram de 35, em 2023, para 120, em 2024. Apesar de o assunto ser repercutido no Brasil desde a década de 1990, a violência virou crime somente no início do ano passado, com a sanção da Lei nº 14.811/2024. As consequências da prática, que pode ser física ou psicológica, costumam ser devastadoras para a vítima e variam de acordo com a idade. Para especialistas, na criança, pode haver início de de pressão, ansiedade ou insônia. No adolescente, além dessas, é possível ocorrer bulimia, anorexia, ideação suicida, síndrome do pânico, problemas de autoestima e de relacionamento. Nos adultos, homens podem apresentar com portamento agressivo e mulheres doenças psicossomáticas. O debate sobre o tema se intensificou nos últimos dias com a repercussão da minissérie Adolescência, da Netflix, que trata também de questões, como misoginia, machismo e o lado perverso do uso das redes sociais.
Esperteza – Titulares do Executivo de municípios com até 7.000 habitantes espalhados pelo interior do país turbinam os próprios vencimentos e chegam a ganhar R$ 25 mil mensais, valor que supera o salário de prefeitos à frente de cidades até 50 vezes maiores. Levantamento feito pela Folha com municípios de pequeno porte de todas as regiões do Brasil revela que os salários, criticados por especialistas ouvidos pela reportagem, pressionam a receita de cidades cujo financiamento depende majoritariamente de transferências externas. É o caso de Ingazeira (PE), cuja população estimada para 2024 é de 4.959 pessoas. O município tem renda média de 1,6 salário mínimo, segundo o último Censo, mas paga R$ 20 mil mensais ao atual prefeito Luciano Torres (PSB) e R$ 10 mil ao vice Djalma do Minadouro (PSB). Com 4.716 habitantes, São José do Seridó (RN) paga R$ 25 mil mensais ao prefeito Jackson Dantas (MDB). Do outro lado do país, a remuneração de Valter Batista dos Santos (PL), de Porto Rico (PR), cuja população estimada para este ano soma 3.316 pessoas, é um pouco menor: R$ 24.500,00. Como comparação, a cidade de Bauru, no interior de São Paulo, paga R$ 24.849,33 por mês à prefeita Suéllen Rosim (PSD). O município paulista tem 391.740 habitantes, mais de cem vezes a população da cidade paranaense. São casos que representam “uma anomalia, uma patologia da federação brasileira”, diz o advogado Omar Augusto Leite Melo, professor de direito e economia na Instituição Toledo de Ensino (ITE) em Bauru. Seria bem-vinda, afirma, uma espécie de “trava” aos subsídios de prefeitos como já ocorre a vereadores. Mas ele não vê condições para eventuais mudanças neste momento.
Compensação – A maioria dos estados do país já adota um desconto na tributação da cesta básica, mas a isenção completa, apelo do governo federal, é rara, revela levantamento feito pelo GLOBO. Em uma lista de dez produtos, só São Paulo e Bahia informaram que em mais da metade deles a alíquota é zero. No estado nordestino, porém, parte da isenção só vale para itens produzidos em território baiano. O pedido aos estados para reduzir o ICMS sobre produtos da cesta básica é considerado pelo Planalto a medida com maior potencial de impacto nos preços de alimentos do “pacote anti-inflação” apresentado pelo Executivo, que conta também com redução de tarifas de importação e fortalecimento de estoques reguladores, entre outras iniciativas. Parte dos governadores condiciona a desoneração a alguma compensação fiscal por parte da União, o que está fora de cogitação atualmente. Santa Catarina, por exemplo, estima uma perda de R$ 1,1 bilhão e questiona se o “buraco” será coberto por um repasse da União. O Ministério da Fazenda descarta abrir o caixa.
Aposta do governo – As medidas de crédito em preparação pelo governo Lula, somadas a propostas em tramitação no Congresso que o Executivo quer destravar, têm o potencial de reduzir em um terço a taxa média de juros cobrada das famílias do País, avalia o secretário de Reformas Econômicas do Ministério da Fazenda, Marcos Barbosa Pinto. As propostas integram a agenda microeconômica da pasta e estão entre as principais apostas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tentar reverter a queda de sua popularidade, que atingiu o nível mais baixo de seus três mandatos. “Dá para cortar o spread (custo do crédito) pela metade, levando a taxa média de juros para algo próximo de 20%”, afirmou Pinto em entrevista ao Estadão. Ele também entende que as medidas de crédito são estruturais e, por isso, refuta críticas de que essa agenda poderá atrapalhar o trabalho do Banco Central de controlar a inflação.
Cortando na carne – O preço dos alimentos em alta mudou lógicas de compra do consumidor e trouxe de volta hábitos vistos durante a recessão de 2016, embora de forma menos intensa. Consumidores passaram a economizar com itens de perfumaria e limpeza para conseguir comprar alimentos que ficaram mais caros, e já compensam a alta de preços trocando marcas e reduzindo tamanhos nos carrinhos de compras. Além disso, estão recorrendo mais ao atacarejo para as compras de última hora, também chamadas de compras para consumo imediato. Pesquisas mostram ainda que a busca pelas lojas de atacado cresce, inclusive, na compra de produtos perecíveis, como frutas, legumes e verduras, depois que parte desses itens sofreu com quebras de safra recentes e picos de preço. A pesquisa indica que, em mercearia básica e perecíveis, o atacado ganhou o dobro de participação de mercado para consumo imediato do que o ganho visto nos supermercados entre janeiro de 2024 e o mesmo mês em 2025. Neste período, por exemplo, diante da alta de quase 55% no preço do café moído, o percentual de compras nos atacarejos para o consumo imediato subiu de 10,4% para 13,2%. Em 2024, a alta na inflação de alimentos foi de 7,7%, e em janeiro e fevereiro de 2025, o índice avançou 1,06% e 0,61%, respectivamente. Apesar do aumento do preço da comida em casa, os atacarejos ainda têm se mantido, em média, de 8% a 10% mais baratos do que os supermercados tradicionais, segundo pesquisas mensais desses canais. E a compra de urgência sobe na base total, mesmo com essas lojas em regiões mais distantes nas cidades. Os minimercados (de um a cinco caixas por loja) tiveram a maior alta de preços em fevereiro frente ao mesmo mês de 2024, com aumento de 6,6% – o maior repasse entre todos os formatos analisados. No atacarejo, a alta foi de 4,4%, o menor repasse da pesquisa.
Semana decisiva para emendas – O governo Lula viu uma luz no fim do túnel quando o Supremo Tribunal Federal (STF) aprovou, no início do mês, um acordo costurado pelo Executivo junto com o Congresso para, enfim, resolver a novela da falta de transparência em emendas parlamentares. A resolução aprovada pelo Legislativo, no entanto, apesar de trazer avanços, driblou exigências feitas pelo ministro Flávio Dino, do STF, e permitiu que os parlamentares ocultem quem são os autores de emendas, o que abre espaço para a falta de fiscalização e esquemas de corrupção na ponta, segundo especialistas. Por determinação de Dino, a Advocacia-Geral da União (AGU), a Câmara e o Senado têm até a próxima sexta-feira para responder a questionamentos feitos pelo PSol e pelo Instituto Não Aceito Corrupção (Inac). Deputados que foram contrários à aprovação da resolução pelo Congresso e que demandam mais transparência nos recursos disseram à reportagem que dificilmente o Congresso conseguirá explicar, de forma satisfatória, porque manteve mecanismos que vão no sentido contrário ao da transparência e da rastreabilidade apesar das decisões do Supremo Tribunal Federal.
Dino vota pela condenação de Zambelli – O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Di no, registrou, ontem, seu voto a favor da condenação da deputa da federal Carla Zambelli (PL-SP) pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. Com a decisão de Dino, o placar do julgamento chegou a 4 a 0 pela condenação e pela perda do mandato da parlamentar. O relator do processo, ministro Gilmar Mendes, votou pela condenação de Zambelli a 5 anos e 3 meses de prisão, além da cassação de seu mandato e da revogação de sua autorização para porte de armas. Os ministros Cármen Lúcia e Alexandre de Moraes acompanharam o relator, e Flávio Dino foi o quarto a seguir a mesma linha, reforçando a tendência de condenação da parlamentar.
“A transição não blindou a democracia” – Professor titular de história contemporânea na Universidade Federal Fluminense (UFF), o historiador Daniel Aarão Reis Filho, autor de diversas obras sobre a história da esquerda brasileira e das experiências socialistas no século XX, conversou, com exclusividade, com o Correio. Nesta entrevista, ele aborda a transição política brasileira após a ditadura militar, destacando a influência contínua das Forças Armadas na política nacional. Aarão argumenta que a ausência de uma justiça de transição, com a manutenção da Lei da Anistia e a falta de julgamento dos crimes cometidos durante o regime militar, impactou negativamente a consolidação da democracia no país. Essa lacuna permitiu que setores militares mantivessem uma autonomia excessiva, funcionando como um “Estado dentro do Estado”.
Poder absolutista nas redes – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a defender a necessidade de regulamentação das redes sociais, destacando os riscos da desinformação e do discurso de ódio no ambiente digital. Durante uma cerimônia na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em Brasília, ele criticou o que chamou de “poder absolutista” das plataformas e cobrou um marco regulatório mais rígido. No entanto, o tema enfrenta forte resistência no Congresso, onde oposicionistas alegam que qualquer medida nesse sentido ameaça à liberdade de expressão.
Eduardo Bolsonaro nos EUA enfraquece PL – Aliados e adversários do clã Bolsonaro avaliam, em conversas reservadas, que a saída do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) do Brasil, anunciada na última semana, terá impactos negativos para seu partido e seu grupo político nas eleições de 2026. Ambos os lados afirmam que, fora da projeção individual, o autoexílio do parlamentar, em sua ofensiva contra o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, cria um vácuo que dá espaço para candidaturas de direita que ascenderam com o bolsonarismo, mas que não são necessariamente alinhadas com os interesses do PL. Contudo, essas avaliações dependem, segundo deputados e dirigentes ouvidos, de fatores como o tempo que Eduardo permanecerá fora do país, o papel que poderia desempenhar na eleição de 2026 e o tipo de ajuda internacional que pode conseguir, especialmente do governo Donald Trump, para a oposição ao governo Lula (PT).
Bolsonaristas se irritam com Tarcísio – Os elogios feitos por Tarcísio de Freitas (Republicanos) às urnas eletrônicas e à Justiça Eleitoral brasileira, em um evento no Tribunal de Justiça de São Paulo na noite de quinta-feira (20), enfureceram aliados bolsonaristas do governador. No fim de semana anterior, Tarcísio havia participado, no Rio, do protesto pró-anistia dos presos pelo 8 de Janeiro, convocado por Jair Bolsonaro (PL). No ato, criticou a inelegibilidade do ex-presidente, determinada pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Aliados de Bolsonaro disseram que o governador sinalizou disposição de atuar de acordo com seus interesses, sem compromisso com o grupo político. Segundo relatos à Folha, a impressão deixada foi que, depois de endurecer o discurso para um lado, busca compensar com gestos na direção oposta. Tarcísio discursou no Palácio da Justiça, sede do TJ-SP, durante a abertura do Colégio de Presidentes dos Tribunais Regionais Eleitorais (Coptrel).
Lula desaloja jornalistas do Alvorada – O governo Lula (PT) desalojou os profissionais de imprensa da estrutura que ocupavam na residência oficial do Palácio da Alvorada para fazer a cobertura da rotina do mandatário nos dias em que ele não vai ao Palácio do Planalto. A promessa era que uma nova sala, maior e com melhores condições, fosse construída. Passados mais de seis meses, a obra não teve início e não há projeto nem licitação aberta. Lula voltou a usar o Alvorada no dia 20 de fevereiro, após um hiato de cerca de um mês vivendo e realizando algumas reuniões na outra residência oficial, a da Granja do Torto. A justificativa é que o Alvorada passou por serviços de “manutenção contínua”.
Dilma é eleita para novo mandato – A presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB, na sigla em inglês), Dilma Rousseff, afirmou neste domingo em Pequim ter sido eleita para um novo mandato à frente da instituição, conhecida como banco do Brics e sediada em Xangai. Ela havia sido indicada pelo presidente da Rússia, Vladimir Putin, após uma articulação do presidente Lula. Dilma disse estar recuperada, após ficar uma semana internada no final de fevereiro, com neurite vestibular, inflamação nos labirintos que causa tonturas intensas. Dilma fez as declarações ao chegar ao Fórum de Desenvolvimento da China, encontro anual de autoridades e empresários, em Pequim. Num intervalo do evento, posteriormente, ela defendeu sua gestão no NDB e criticou uma gestão anterior, sem identificar. A ex-presidente da República foi uma das palestrantes na abertura do Fórum, na histórica Casa de Hóspedes Diaoyutai, sentando-se na primeira fila, com o primeiro-ministro Li Qiang e o CEO da Apple, Tim Cook, entre outros.
PSOL e Novo mostram consonância em votações – Em campos opostos no espectro político, o PSOL e o Novo têm histórico de votação consonante nesta legislatura na Câmara dos Deputados. Os partidos tiveram o mesmo posicionamento unânime em suas respectivas bancadas em pelo menos quatro ocasiões, saindo derrotados, juntos, em todas elas. Especialistas ouvidos pelo GLOBO apontam que a convergência entre as siglas é resultado de agendas programáticas que, a despeito da distância ideológica, contam com pontos de interseção como a visão sobre regras eleitorais e a defesa de transparência na gestão de recursos públicos. Além disso, a confluência também é favorecida pela pouca representatividade das duas legendas — o PSOL soma 13 deputados federais, enquanto o Novo possui quatro. Na semana retrasada, os dois partidos foram os únicos a se posicionar integralmente contra as novas regras de distribuição de emendas parlamentares, aprovadas pela Câmara com uma redação que não contempla integralmente as determinações do Supremo Tribunal Federal (STF), ao abrir brecha para omissão da autoria das indicações. O cenário se repetiu em votações sobre a PEC do corte de gastos e no projeto que anistia partidos de multas por descumprimento do repasse de verbas a candidaturas negras.
‘Superministros’ de Lula – Com o governo em crise e enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva adota uma postura centralizadora, na visão de auxiliares, ministros de projeção nacional como Fernando Haddad (Fazenda), Simone Tebet (Planejamento), Marina Silva (Meio Ambiente), Rui Costa (Casa Civil) e Geraldo Alckmin (Desenvolvimento, Indústria e Comércio) enfrentam barreiras para alcançar protagonismo em busca do papel de herdeiros do espólio político. Esse grupo está à frente de pastas estratégicas e é composto quase integralmente por ex-presidenciáveis. A exceção é Costa, citado na largada da gestão como um potencial sucessor de Lula diante da bagagem de oito anos governando a Bahia e pelo protagonismo da Casa Civil, que coordena as ações de governo — Dilma Rousseff chefiava a pasta quando foi escolhida para concorrer à Presidência em 2010. Ao longo da gestão, no entanto, a vitrine esperada transformou-se em um espaço à sombra do chefe do Executivo, que toma decisões ouvindo um círculo restrito de auxiliares e não dá sinais de que pretende iniciar uma transição com vistas à sucessão. Nesse cenário, integrantes do governo avaliam que nomes da frente ampla na eleição de 2022, como Alckmin, Tebet e Marina, estão subutilizados em uma gestão com reprovação em alta e que precisará de apoio do centro para 2026.
STF mira em outros núcleos da trama golpista – Após decidir se torna réus o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete aliados por participação na trama golpista, em análise que começa amanhã, o Supremo Tribunal Federal (STF) vai decidir até o fim do mês que vem o futuro de outros 18 acusados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de envolvimento na tentativa de golpe de Estado após a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2022. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, dividiu os denunciados em quatro núcleos como forma de “otimizar o andamento processual”, segundo escreveu nas peças do processo. Três já tiveram os julgamentos marcados. Na sexta-feira, o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, liberou a denúncia do quarto grupo, com sete integrantes. Caberá agora a Cristiano Zanin, presidente da Primeira Turma da Corte, marcar a data da sessão.
Damares é criticada pela direita – A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) vem sendo criticada nas redes sociais por perfis da direita após sair em defesa do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), durante um evento do partido voltado para as mulheres, em Brasília, na última sexta-feira. Na ocasião, uma mulher protestou contra o deputado, em resposta a uma fala recente dele sobre o Brasil não ter exilados políticos, nem perseguições por preferências partidárias. No X, comentários contra Damares afirmam que ela tem apoiado “homens que se curvam ao STF” (Supremo Tribunal Federal). Outros usuários defendem que a declaração foi “lamentável” e que a senadora precisa “entender que esse corporativismo partidário não adianta em nada”. O blogueiro bolsonarista Allan dos Santos, considerado foragido pela Justiça brasileira desde 2021, chamou a senadora de “analfabeta funcional” em uma publicação no X. Damares Alves também tem sido alvo de críticas da direita por ter defendido o projeto de lei (PL) que propõe a perda de bens e valores ao autor de crimes de estupro praticados com violência doméstica e familiar contra a mulher. Em suas redes sociais, a senadora definiu a medida como “mais um importante projeto de proteção da mulher” e disse que a proposta vai contribuir para reduzir esses crimes, pois “vai pesar no bolso do agressor”.
Vereadores bolsonaristas propõem leis antitrans – Vereadores bolsonaristas de primeiro mandato propõem leis para restringir direitos de pessoas trans, com 13 dos 17 projetos apresentados neste ano sendo de apoiadores de Jair Bolsonaro. As propostas incluem restrições em esportes, banheiros e paradas LGBT+. Lucas Pavanato lidera com cinco projetos na Câmara de São Paulo, refletindo uma estratégia política alinhada à extrema-direita.
Tarcísio é orientado a ‘jogar parado’ por 2026 – Os olhares da política esta semana estão voltados para o julgamento do inquérito do golpe. Embora o resultado já seja esperado, com a certeza de que a 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal vai mandar Jair Bolsonaro e outros sete para o banco dos réus, a postura do ex-presidente e de seu entorno dará sinais sobre a campanha eleitoral de 2026. Nesse contexto, a reação do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), é das mais esperadas. Alçado à política pelo ex-presidente, Tarcísio tem se equilibrado entre fazer gestos efusivos de apoio ao capitão do bolsonarismo e, ao mesmo tempo, adotar discurso mais ameno que dialogue com os partidos de Centro e respeite a Justiça no País. Em ritmo de bolero, o governador fica no mesmo lugar, focado no pragmatismo, e tentando evitar riscos.
Bolsonarismo desloca palco da guerra política ao exterior – O clã Bolsonaro e seus aliados têm agido para deslocar a disputa política nacional para outro palco: o da arena internacional. Com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) prestes a ser julgado no Supremo Tribunal Federal (STF) e alguns de seus companheiros denunciados e até presos, a direita tem cada vez mais apostado em soluções fora do País. O movimento, liderado pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), começou a ser construído a partir da eleição de seu pai, em 2018, mas tomou novo patamar com a volta de Donald Trump à Presidência dos Estados Unidos neste ano. Na última semana, Eduardo reforçou a estratégia ao anunciar que se licenciaria do mandato no Congresso Nacional e permaneceria em território americano para trabalhar por “sanções” contra autoridades brasileiras. Antes, ele havia assumido a função de secretário de Relações Internacionais de seu partido, o PL, e trabalhado para chefiar a comissão de Relações Internacionais e de Defesa Nacional da Câmara, o que não deu certo. O histórico demonstra que ele tem tornado a área internacional sua principal seara. Um aliado de Eduardo afirmou ao Estadão, sob anonimato, que o deputado se desmotivou em ficar no Brasil após ser desencorajado a assumir a comissão na Câmara — para não criar atrito com o STF — e concluiu que, nesse caso, seria “mais útil” ficar nos Estados Unidos, estreitando laços com políticos republicanos e o governo americano.