Fora do Rio Grande do Sul, escuto frequentemente o comentário: “Gaúcha? Mas bah, tchê. Cadê o chimarrão?”. Novamente abordada assim há uns dias, o comentário já passaria batido, como sempre, mas desta vez, me questionei: Por quê? Por que somos a terra do chimarrão? De onde vêm a tradição e a bebida? Qual seu nome correto, chimarrão ou mate?
Erva-mate, a famosa. Já embaladinha e pronta, não falta em casa alguma, nem do nosso lado, nem do lado dos nossos vizinhos uruguayos. A planta sim, que só tem do nosso lado, e um pouco nos “lindeiros” paraguaios e argentinos. Só nosso. Não existe em nenhum outro lugar do mundo. Todavia, o consumo dessa bebida não é coisa de hoje, nem começou na época do crescente sentimento gaúcho da Guerra dos Farrapos. Já acontecia há centenas de anos antes disso, aqui na nossa terra, muito antes de imaginarmos ser Rio Grande do Sul, ou mesmo antes de algum outro povo além dos originários pensar em dar um pulinho nos lados de cá do oceano.
A Ka’a Karai, ou “folha sagrada” já era consumida há séculos pelos indígenas, mascadas ou em infusão, principalmente pelos guaranis, e servida no mati (como chamavam o recipiente feito de porongo, similar à cuia de hoje). Foi fácil para os gringos que aqui chegaram confundir, deduzindo esse era o nome da erva. A partir daí, erva-mate passou a ser o nome do verdinho que produzia aquela bebida revigorante e viciante, no bom sentido.
Tão viciante que os jesuítas tentaram proibir o inocente mate, chamando a planta de “erva do diabo”, já que os indígenas passavam o dia bebendo e ficavam notoriamente incomodados quando estavam em abstinência. Com o passar do tempo, renderam-se aos encantos da bebida e, junto com os indígenas, participaram de sua história.
Nos países de língua espanhola onde se toma mate, e nos lugares de fronteira com estes -aqui entra nossa querida Livramento, “mate” é a palavra da vez. Em outros lugares do Brasil, é chamado de “chimarrão”, que surgiu bem depois, derivando da palavra castelhana cimarrón e faz referência ao que é selvagem – visão que tinham os recém-chegados espanhóis de todo o ritual de tomar mate em grupo e daquela erva misteriosa e tão indispensável.
Nosso mate é um símbolo tão forte da cultura gaúcha, parte da nossa identidade, que o “bah, tchê” vai ter que ficar para depois…


Deputado Afonso Hamm apresenta projeto para garantir o funcionamento das Usina Termelétrica de Candiota e Transição Energética Justa
Um novo projeto de lei (PL) 1371/2015, de autoria do deputado federal Afonso Hamm, foi apresentado nesta semana na Câmara dos Deputados. A proposta altera a Lei nº 10.848/2004, visando assegurar a Transição Energética Justa e a sobrevivência socioeconômica das regiões carboníferas do Sul do Brasil, além de fortalecer a segurança energética do setor elétrico brasileiro (SEB). O PL 1371/1025