qua, 2 de abril de 2025

Variedades Digital | 29 e 30.03.25

De Lá, Pra Cá | Maria Quitéria, nossa Joanna D’Arc

Depois de mostrar sua bravura e habilidades, fardas militares são especialmente confeccionadas para vesti-la apropriadamente como mulher.

Passamos pelo Dia da Mulher, e poderia eu fazer um texto cor-de-rosa sobre as belezas da existência feminina, mas nem mesma eu “compraria”. A data existe em reconhecimento às batalhas travadas por mulheres que abriram o caminho para nós, justamente por sua luta por melhores condições de trabalho e, posteriormente, de vida.
Minha breve homenagem a nós, mulheres, se dará através de uma personagem que a história a mim encanta: Maria Quitéria de Jesus, a baiana arretada que desafiou as regras e lutou ao lado de milhares de homens pela independência do Brasil. A Joanna D’Arc brasileira.
Maria nasceu em 1792 no conforto de uma fazenda com gados e escravizados na Bahia, mas isso nunca a sossegou. Avessa às tarefas de casa, tinha como paixão os cavalos e as armas de fogo. Não preciso dizer que isso a tornava absolutamente fora do padrão da época.
Descendente de nativos da nossa terra, deve ter celebrado quando Dom Pedro I finalmente declarou a independência do Brasil. Todavia, para enfrentar a resistência de Portugal, o Imperador decide formar um exército pró-independência, enviando emissários por todos os cantos para recrutamento de… homens. E, ao chegarem na Serra da Agulha, na Bahia, quem se prontifica para a guerra é… uma mulher! Maria Quitéria! Implorou ao pai para se juntar à causa, com o discurso:

“É verdade, que não tendes filho, meu pai. Mas lembrai-vos que manejo as armas e que a caça não é mais nobre que a defesa da pátria. O coração me abrasa. Deixai-me ir disfarçada para tão justa guerra”

A resposta? “Mulheres fiam, bordam e tecem. Não vão à guerra”. Obstinada, não desistiu… saiu de casa, cortou os cabelos, vestiu-se com roupas de homem e alistou-se no exército. Em poucas semanas, quando o pai descobriu e foi buscá-la, já era tarde, pois suas habilidades já haviam sido notadas, e a baixa foi negada.
Realizou marcantes proezas nas batalhas das quais participou, inclusive a de liderar um grupo de mulheres civis em uma batalha no Recôncavo Baiano, com sucesso. Ganhou cada vez mais respeito e promoções. Quando as lutas terminaram, com vitória do Brasil, Quitéria foi recebida em Salvador e saudada como uma heroína. A convite do próprio Imperador, foi ao Rio de Janeiro e recebeu de suas mãos a Medalha da Ordem Imperial do Cruzeiro do Sul, a maior honra militar da época.
Depois da guerra, nossa protagonista voltou para casa (recebida por seu pai por livre e espontânea pressão do próprio Imperador), casou-se, teve uma filha, e, depois de perder o marido, morreu esquecida em Salvador. Somente 100 anos depois sua memória foi (amplamente) resgatada, e Maria Quitéria se firmou como a lenda que é hoje.
Nas entrelinhas está o que me conecta à história. É a coragem dela em enfrentar um sistema castrador para realizar feitos considerados como não femininos, mas que eram o seu ideal. É a capacidade de a mulher exercer vários papeis sociais, e realizá-los bem. É a sobrecarga que isso pode causar – dor já conhecida pela nossa natureza – que dificilmente nos faz parar.
Homens, que isso esteja esculpido em suas mentes, para que o esforço natural do existir feminino seja espontaneamente e sempre valorizado. Mulheres, nunca esqueçam que aquela que está ao seu lado joga no mesmo time, e não contra.
Saúdo a cada uma de nós no dia que celebra somente uma pequena parte de tudo o que contribuímos para o andar do nosso mundo.

Deputado Afonso Hamm apresenta projeto para garantir o funcionamento das Usina Termelétrica de Candiota e Transição Energética Justa

Um novo projeto de lei (PL) 1371/2015, de autoria do deputado federal Afonso Hamm, foi apresentado nesta semana na Câmara dos Deputados. A proposta altera a Lei nº 10.848/2004, visando assegurar a Transição Energética Justa e a sobrevivência socioeconômica das regiões carboníferas do Sul do Brasil, além de fortalecer a segurança energética do setor elétrico brasileiro (SEB). O PL 1371/1025

📌 Café do Instituto Unimed/RS

Participe do Café do Instituto Unimed/RS. O evento contará com Vitelio Brustolin, pesquisador de Harvard e professor de Relações Internacionais da UFF. Colaborador para análises geopolíticas na CNN, Globo, Record e outros. Não perca! 📆 Dia: 24 de abril. ⏰ Horário: 19h. 📍 Local: Casa da Memória Unimed Federação/RS, Rua Santa Terezinha, 263, Porto Alegre. 🔗 Formato: presencial 📧 Inscrição via link: