As ações asiáticas encerraram a segunda-feira sem direção única, enquanto os futuros em Wall Street operam em queda, a exemplo do petróleo e do minério de ferro, reagindo aos dados decepcionantes e um corte surpresa nas taxas de juros na China, contribuindo para um cenário mais obscuro para a perspectiva econômica global e freando o rali verificado ao longo da semana passada.
Os dados mostraram que as vendas no varejo, o investimento e a produção industrial da China ficaram abaixo das estimativas dos economistas em julho. Os rendimentos dos títulos chineses e o yuan offshore também cederam, enquanto as bolsas oscilaram ao longo do continente asiático.
Os rendimentos dos títulos da dívida americana subiram e a curva permanece profundamente invertida, apontando para preocupações de que a campanha de aperto monetário do Federal Reserve contra a alta inflação possa desencadear uma recessão nos EUA.
Os mercados acionários nas últimas semanas foram beneficiados pelos sinais de desaceleração das pressões sobre os preços, o que gerou esperanças de aumentos de juros menos agressivos por parte do Federal Reserve. Os dados econômicos da China mostram, no entanto, que muitos obstáculos ainda estão à frente para a recuperação das ações globais em relação às mínimas registradas em junho.
O risco de uma recessão na zona do euro atingiu o nível mais alto desde novembro de 2020, segundo economistas consultados pela Bloomberg.
O petróleo cai próximo a 2%, assim como o minério de ferro , cobre e outros metais, levantando mais preocupações em torno da lenta recuperação da China, o que reduziria a demanda por matérias-primas. O ouro recuou abaixo de US$ 1.800 a onça e o Bitcoin caiu para US$ 24.000.
Por aqui, às vésperas das eleições presidenciais, os fundos de investimento brasileiros demonstram receio em relação às empresas estatais. Os investimentos realizados por eles nas companhias públicas estão hoje no menor nível desde 2008, com R$ 36,1 bilhões em ações dessas empresas, que são listadas na Bolsa. O volume, considerando os dados de meados de agosto, representa queda de 43% em relação à posição do fim do ano passado e de 71% na comparação com 2019, momento pré-pandemia e quando atingiu a máxima histórica, com R$ 124,5 bilhões.
Segundo analistas, a menor alocação reflete diretamente as pesquisas que mostram o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na liderança, num momento em que parte da Faria Lima começa a deixar clara sua preferência por um segundo mandato de Jair Bolsonaro, pela visão de que seu governo é pró-mercado, deixando de lado as críticas sobre a gastança promovida pelo presidente em busca da reeleição. Antes de 2019, contudo, o pico anterior de investimentos em empresas estatais havia sido em 2010, exatamente durante o governo Lula, com um valor de R$ 94,4 bilhões. Em 2008, ano da quebra do banco Lehman Brothers e pior patamar da série histórica, os investimentos em ações de empresas do governo somaram R$ 30,4 bilhões.
O levantamento, feito pelo TC/Economatica a pedido do Estadão, abarca todas as estatais listadas na Bolsa, tanto as da esfera federal quanto as estatuais: são 20, ao todo. Os números ainda consideram os investimentos da Eletrobras, privatizada neste ano, mas que ainda possui a União como principal acionista, ou seja, a desestatização não explica o tombo no volume dos investimentos em empresas públicas neste ano. A leitura deve também levar em consideração que, além da maior ou menor alocação em estatais no período, o levantamento espelha o desempenho dos papéis, que em alguns casos perderam valor ao longo deste ano. O estudo também não leva em conta a compra de fundos estrangeiros no País.