A sexta-feira foi de mais uma sessão mista na Ásia, onde os principais mercados encerraram sem uma direção única, enquanto os futuros em Wall Street operam em queda, diante das preocupações sobre as perspectivas econômicas, que ainda assim, não devem ser suficientes para impedir o maior avanço semanal neste mês de julho para os mercados globais.
O clima pesou para os papéis ligados à tecnologia após uma queda de cerca de 27% nos números divulgados pela empresa de mídia social Snap, sinalizando preocupações com as receitas de publicidade e uma desaceleração econômica mais ampla. O resultado acabou afetando também os negócios envolvendo a Meta Platforms, controladora do Facebook, e a Alphabet, do Google, ofuscando o melhor ganho em um conjunto de três dias desde o final de maio para o S&P 500.
Os títulos da dívida americana mostram o rendimento dos papéis para 10 anos ainda abaixo dos 3%. O aumento dos pedidos de seguro-desemprego nos EUA, somado aos recentes indicadores econômicos mais fracos que as expectativas, sinalizaram riscos de recessão em meio ao aperto da política monetária, impulsionando a demanda por títulos.
Os investidores também estão observando a condição de saúde do presidente Joe Biden, depois que ele testou positivo para Covid, apresentando sintomas leves.
As ações globais continuam a caminho de sua melhor semana em um mês, reduzindo a queda do mercado de ações deste ano para cerca de 18%. A especulação de que o pior já passou está parcialmente por trás do movimento.
Enquanto isso, o euro interrompeu seu avanço, desencadeado pela alta de 50 pontos-base da taxa de juros pelo Banco Central Europeu, o primeiro aumento em 11 anos.
A autoridade monetária também está sofrendo com as recentes pressões sobre os preços e persistem as preocupações de que a Rússia possa sufocar o fornecimento de gás europeu devido às consequências da guerra do presidente Vladimir Putin na Ucrânia, enquanto na Itália, a atual crise política representa uma complicação adicional para a região.
Por aqui, o governo prepara um novo decreto para reduzir o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). A ideia é substituir o corte anterior, que foi questionado no Supremo Tribunal Federal (STF).
A redução será de 35% e incidirá para 4 mil produtos que não são fabricados na Zona Franca de Manaus. Na região são fabricados eletrodomésticos, veículos, motocicletas, bicicletas, TVs, celulares, aparelhos de ar-condicionado, computadores, entre outros produtos.
Com o novo decreto, o Ministério da Economia quer resolver o imbróglio jurídico e político iniciado depois do anúncio do primeiro corte do imposto. Em fevereiro, o governo fez uma primeira redução de 25% no tributo, valendo para todos os produtos, com exceção de cigarros.
Representantes e políticos ligados à Zona Franca de Manaus reclamaram que, como os produtos feitos no local são livres do imposto, houve perda de competitividade ao reduzir a tributação no restante do país.