qua, 2 de abril de 2025

Variedades Digital | 29 e 30.03.25

Pessoas invisíveis

Em 5 de fevereiro passado a polícia de Como, na região da Lombardia, na Itália, encontrou o corpo de Marinella Beretta, de 70 anos. Vizinhos ligaram para o telefone de emergência para reclamar que algumas árvores do pátio da idosa ameaçavam cair e que o mato tomara conta do terreno.
Depois de bater à porta sem sucesso, os agentes chamaram o dono da casa que abriu o imóvel e encontraram Marinella morta, sentada em uma ca-deira de balanço. Legistas calculam ela estava morta há pelo menos dois anos. Vizinhos corroboraram a versão, dizendo que desde setembro de 2019 não a viam. Apesar da caixa do correio abarrotada de correspondências e do matagal ninguém teve a iniciativa de procurar a moradora.
A notícia estarrecedora reflete a individualização que assola o mundo por ironia numa época de multicomunicação da onipresença da tecnologia e inúmeras ferramentas de contato. Em janeiro um fotógrafo foi encontrado morto por hipotermia, ou seja, morreu de frio na rua. O episódio não foi registrado em algum país do terceiro mundo, mas no centro de Paris, um dos países mais desenvolvidos do mundo.
A solidão, a depressão e o sentimento de abandono é um dos grandes males modernos. A ausência de solidariedade, os conflitos familiares tão co-muns no cotidiano e o medo decorrente da insegurança que prolifera mundo afora.
Educação financeira, filosofia, direitos humanos e outros conteúdos são invocados com frequência para inclusão no currículo escolar. Talvez fosse o momento de acrescentar conteúdos humanistas, onde a empatia (capacidade de projetar a personalidade de alguém num objeto, de forma que este pareça como que impregnado dela) tenha tanta relevância quanto o manejo da tecnologia.
Certamente o episódio da Itália não é isolado, mas se não tivesse reper-cussão internacional pareceria enredo de filme ou peça de teatro. A vida é mais cruel que qualquer script de ficção porque é protagonizada por seres humanos, ou seja, gente, “de verdade”.
É incrível, mas vivemos na época das “pessoas invisíveis”, de persona-gens que fazem parte do nosso cotidiano, mas que em determinado momento e repentinamente desaparecem. Apesar das relações, o fato é incapaz de provocar iniciativas de busca. O protagonismo humano definitivamente está em baixa.

 

Gilberto Jasper
Jornalista/[email protected]

 

Deputado Afonso Hamm apresenta projeto para garantir o funcionamento das Usina Termelétrica de Candiota e Transição Energética Justa

Um novo projeto de lei (PL) 1371/2015, de autoria do deputado federal Afonso Hamm, foi apresentado nesta semana na Câmara dos Deputados. A proposta altera a Lei nº 10.848/2004, visando assegurar a Transição Energética Justa e a sobrevivência socioeconômica das regiões carboníferas do Sul do Brasil, além de fortalecer a segurança energética do setor elétrico brasileiro (SEB). O PL 1371/1025

📌 Café do Instituto Unimed/RS

Participe do Café do Instituto Unimed/RS. O evento contará com Vitelio Brustolin, pesquisador de Harvard e professor de Relações Internacionais da UFF. Colaborador para análises geopolíticas na CNN, Globo, Record e outros. Não perca! 📆 Dia: 24 de abril. ⏰ Horário: 19h. 📍 Local: Casa da Memória Unimed Federação/RS, Rua Santa Terezinha, 263, Porto Alegre. 🔗 Formato: presencial 📧 Inscrição via link: