“Ele tirava minha roupa e consumava a relação sexual. Depois me ameaçava para não contar a ninguém, senão iria me bater caso alguém soubesse”. A frase é parte do depoimento de uma menina de apenas treze anos de idade e que passou pelo menos meia década sendo abusada pelo próprio pai, justamente aquele que, em tese, deveria ser seu protetor. Foram cinco anos de sofrimento em silêncio criando chagas que certamente levarão muito tempo para serem cicatrizadas, talvez a vida toda. Esse talvez seja o resumo, sem ser precisamente simples, possível de fazer após a denúncia registrada na última quinta-feira na Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento em Sant´Ana do Livramento.
O caso veio à tona quando a menina resolveu manifestar para a mãe o seu desejo de não mais visitar o pai que reside em um assentamento na região central do Estado e prefere ficar aqui em Sant´Ana do Livramento. Na denúncia, a vítima relata que residia na cidade de São Gabriel na casa da avó materna depois que seus pais se separaram cerca de cinco anos atrás, mas durante as férias, viajava com o pai para a cidade de Julio de Castilhos. De acordo com o relato da menina, desde os sete anos de idade o pai a obrigava a manter relações sexuais com o ele. “Desde os sete anos isso acontecia, sempre dentro da casa. Além disso, ele ainda obrigava a acariciar os seus órgãos genitais”, revelou. Com medo das ameaças feitas ao longo do período, a menina revelou que esta foi a causa do seu silêncio durante todo esse tempo até que na semana passada resolveu contar para a mãe por não querer mais ir ao encontro do próprio pai.
De acordo com a delegada Giovana Muller, com base no depoimento, serão instaurados os procedimentos de praxe. “Como a menina já está distante do pai, por ora, não será solicitada medida protetiva mas, caso seja necessário, isso ainda pode ocorrer.
O indivíduo deverá ser ouvido pela polícia na cidade onde reside atualmente, afirmou a Delegada. Procurado, o Conselho Tutelar de Sant´Ana do Livramento já está acompanhando o caso mas não pode se manifestar durante o período das investigações.
A reportagem entrou em contato com os familiares da menina, por telefone, mas não conseguiu ouvir a mãe. De acordo com dados do Conselho Tutelar, somente em 2021, cerca de 40 acasos de abusos já foram denunciados junto ao órgão e que estão sob acompanhamento e investigação.