Nem mesmo a forte chuva que caia dos céus da Fronteira fez com que um grupo formado por diversas mulheres brasileiras e uruguaias deixassem de pedir justiça. Oportunamente no Dia Internacional de Combate à Violência Contra a Mulher, quem passou pelo fórum de Sant’Ana do Livramento e o Juzgado de Rivera, nesta quarta-feira (25), pôde ver faixas, cartazes e ouvir o lamento e os pedidos de justiça contra os crimes contra as mulheres.
Em Livramento, o ato aconteceu por volta das 14h, onde, pacificamente, o grupo marcou presença em frente ao local e também protocolou um ofício pedindo às autoridades locais uma maior agilidade com processos que envolvem violência contra mulher, como estupros e feminicídios. Já na cidade vizinha, o protesto foi realizado às 15h em frente ao prédio que abriga o Poder Judiciário.
De acordo com uma das responsáveis pelo movimento, Ane Cruz, o que motivou as manifestantes a irem às ruas foi o aumento no número de casos de violência contra as mulheres nas duas cidades, o que é agravado ainda mais com a lentidão da Justiça em aplicar a punição adequada aos autores. “Nós queremos respostas, nós queremos que os criminosos sejam punidos. Então é por isso que, mesmo com chuva, mesmo com a pandemia, estamos indo pra rua. […] Nós queremos denunciar esse estado de morosidade, que hoje se justifica com a pandemia, mas e antes da pandemia? Por que que os casos de violência doméstica, os feminicídios, os casos de violência sexual demoraram tanto para serem julgados?”, questionou.
Reforçando a preocupação com a segurança das mulheres na fronteira, Ane disse que, só no período entre janeiro e outubro de 2020, Livramento já registrou 15 casos de estupro e, somado à falta de respostas por parte do judiciário, o problema se torna ainda maior. “Como estão essas vítimas? […] Já foi investigado? Já foi julgado? Como é que estão esses processos? Então nós precisamos saber dessas questões”, frizou.
