sáb, 5 de abril de 2025

Variedades Digital | 05 e 06.04.25

“O professor grandioso inspira”

Elisabete e Alessandro

Buenas,

Essa frase diz muito e ainda não diz tudo! Mas não é minha, é de Willian Artur Ward, professor norte-americano, já falecido. Por sinal, ser professor nos EUA deve ser bem interessante. Diria mais: tenho certeza que é muito melhor do que no Brasil. É sobre professores, que fui e sempre serei, mesmo não estando mais em salas de aula, que quero falar um pouco.

Já foi dito também que ser professor é vocação. Concordo e vou além: eles deveriam ser selecionados a partir da comprovação de notório saber, formação acadêmica extensa e muito amor pela causa. Certamente eles teriam uma remuneração que permitisse uma vida digna. Assim o é, mas, infelizmente, não para a maioria deles em nosso país.

Na França, por exemplo, a educação é assunto de Estado e a seleção é nacional, inclusive para o primário, onde só são aceitos professores com, no mínimo, mestrado. Na Coreia do Sul, após a guerra, o governo investiu em educação integral, desde a base até a universidade. Com isso, transformou um país pequeno em uma potência mundial na área industrial e tecnológica.

E aqui no Brasil eu cresci com minha mãe dizendo: – Não sejam professores! Meus irmãos obedeceram. Eu, que sempre fui o filho teimoso dessa severa professora de matemática, nem tanto. Mesmo com aulas caseiras, nunca aprendi a tal da matemática, fruto talvez dessa rebeldia natural do “Hay gobierno, soy contra!”

Apesar de todo o trabalho para preparar aulas, corrigir provas e domesticar os filhos, ela sempre estava estudando e lendo. Eu, mesmo antes de ser alfabetizado, seguia-lhe o exemplo, lendo tudo que encontrava. Ao menos dessa vez, obedecendo uma das tantas frases repetidas por ela: – Saber não dói e não ocupa espaço!

Depois de ler, gostava de ficar contando aos amigos sobre o que tinha lido e gostado, enchendo os ouvidos dos outros. Um primo chamava-me de “professor”, em um tom meio debochado. Ser professor, pensava eu, nem pensar! Ganha pouco e trabalha muito. Era o exemplo que tinha em casa.

Adulto, continuava um leitor ferrenho. Mas estudei e passei em concurso de área bastante distinta, apesar de haver interesse. Quando ingressei na universidade, o fiz para ser tradutor, afinal, queria conhecer o mundo e, para tanto, precisava dominar línguas estrangeiras. E aprendi uma coisa: não se foge ao destino.

Ao findar do primeiro ano, mudei para licenciatura e, na metade do curso, desobedecendo minha mãe mais uma vez, estava dando aulas de literatura em um colégio particular de Porto Alegre e, logo em seguida, em cursos pré-vestibulares. Posso dizer que estava realizado. Porém, com o tempo, não conseguia manter as duas carreiras, e acabei escolhendo, com dor no coração, a preservação financeira e abandonando a vocação.

Cresci com greves devido a péssimas condições de trabalho e salários absurdamente baixos. Professores abandonando a profissão não era algo anormal. Mas a vida não é só de frustração e derrotas. Encontrei professores que enfrentaram o sistema e foram além. Adoraria citar vários, mas elegi um.

O nome dela é Elisabete. Como minha mãe, também criou filhos quase sozinha, começando como professora primária e atingindo o ápice da carreira, tornando-se professora universitária.

Na universidade, muito antes das facilidades dos projetores modernos, ela levava livros, quadros e músicas. Ao tratar de matérias como, por exemplo, o Barroco, nos apresentava não só os livros, mas o contexto histórico, pinturas, arquitetura e as músicas do período. Com isso, aprofundava o conhecimento daqueles conceitos pré-definidos da escola, que mal compreendíamos anteriormente.

E ia além. Comentava suas viagens pelo velho mundo, dos aprendizados durante suas andanças pelos lugares históricos que eu sonhava um dia conhecer, mas, que eram distantes de minha realidade. Uma vez, ela contou que ia passar seus 30 dias de férias perambulando pelo Reino Unido. Eu, apavorado pelo preço do dólar à época (que era muito mais baixo do que hoje), questionei se não estava preocupada: – Não, já economizei previamente e planejei a viagem com mais de meio ano de antecedência.

Fiquei boquiaberto pela tranquilidade daquela professora desprovida de vaidade e cheia de ânimo. Para teres uma ideia, ela sempre ia para a universidade de ônibus, do mesmo modo que fizera minha mãe ao longo de sua vida como professora.

Muitas aulas que ministrei foram inspiradas por essas mulheres de fibra. E levei para a vida a ideia que eu alimentava desde a minha teimosa infância: eu poderia conquistar o mundo! Não seria fácil, mas com planos definidos, foco e algumas pitadas de dedicação, tinha certeza de que chegaria lá. Resumo em uma expressão latina: “Vim, vi e venci”!  Dentro de meus limites, aprendi com elas a buscar esse algo mais tantas vezes quanto minha saúde concordar e o orçamento permitir!

Essa professora está às vésperas de comemorar seus 80 anos e continua me inspirando: já está com os próximos roteiros planejados, a mala arrumada e só esperando as viagens voltarem a fazer parte de nossa rotina!

Por: Alessandro Castro, Policial Rodoviário Federal e Mestre em Literatura

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