Neste domingo, os garotos da base do Armour farão um minuto de silêncio antes de estrearam no Torneio Internacional contra o Nacional, a partir das 14h. Mesmo que o técnico Rodinei Lucas explique o porquê da tradicional homenagem póstuma, poucos terão a ideia do tamanho do armourista lembrado após o trinar do apito do árbitro. A homenagem vem uma semana depois do falecimento de Peter Bond, 73 anos, mas esta e todas as outras que foram e serão feitas se justificam. Peter, que faleceu no último dia 20, na cidade de Lins, interior de São Paulo, remete o torcedor armourista que viveu naquela época ou conhece a história dos anos 60, quando o futebol santanense vivia um período pródigo com os quatro grandes clubes da cidade em atividade e craques surgindo aos montes nos gramados da cidade. Período que em nada lembra os tempos atuais de futebol globalizado de um Estado com apenas dois clubes, interior esquecido pela cúpula do esporte e torcedores idolatrando ídolos estrangeiros vistos apenas na televisão. Claro, naquelaépoca o rádio já ocupava o imaginário do torcedor santanense, mas também a paixão era voltada ao futebol local marcado por grandes clássicos que arrastavam grandes públicos aos Campeonatos Citadinos e também na Copa Governador do Estado. O Armour Futebol Clube era um dos gigantes da cidade e tinha uma dupla de irmãos, criada no Estádio Miguel Copatti, que vivia uma fase espetacular, marcando gols e encantando pela qualidade. Billy e Peter Bond faziam parte de um dos grandes times do Armour, tetracampeão da cidade no final daquela década.
A carreira
“Convivi com ele por muito tempo, pois, morávamos do Edifício dos Solteiros e ele foi uma pessoa muito importante para mim, aprendi muito com ele. Foi um pai para mim” diz Sérgio Belmonte. Centroavante de origem, Peter era goleador, mas, também era muito técnico. No time de 1967 ele foi um dos goleadores da Copa Governador do Estado e jogava ao lado de Miro, Bochão, Marcelo, Barão, Nininho, Milton, Billy Bond, Roberto Adilson e Joãozinho. Esta equipe foi a base do time tetracampeão citadino (67, 68, 69 e 70) quebrando uma hegemonia do 14 de Julho. Peter esteve presente em todas estas conquistas e chegou a interessar ao Grêmio Portoalegrense. Nascido em seis de novembro de 1945, Peter iniciou a carreira em 1966. Fora da bola, ele fez carreira no setor frigorífico, sendo na Swifft Armour, supervisor da área de enlatados e foi diretor do Frigorífico Bentin, em Lins, onde se aposentou.
A última visita
Em 2014 foi a última vez que Peter pisou no gramado do Miguel Copatti. Ele veio a Livramento e foi recebido pelo presidente Aimoré e vice Sérgio Belmonte, com todas as honras. Vestiu a camisa, pisou no gramado e foi apresentado aos novos jogadores como um dos grandes ídolos da história. Reviu companheiros como Odilon, também falecido, contou e ouviu histórias sobre aqueles tempos áureos. Ele ainda retornou à cidade em 2016.
Pois, Peter virou nome eterno da galeria de craques do Armour Futebol Clube para que os garotos de hoje e de amanhã saibam que a camisa que vestem tem o poder de fazer com que grandes jogadores continuem vivos, mesmo que no imaginário daqueles que tiveram o privilégio de o virem jogar. Peter Bond é um deles.
