qui, 3 de abril de 2025

Variedades Digital | 29 e 30.03.25

Estudo realizado pelo Ministério da Saúde revela água contaminada por agrotóxico em Livramento

Mapa do estudo aponta uma amopstra de contaminação na fronteira (Foto: Internet)

Presença de agrotóxico cancerígeno foi encontrada em amostra coletada no município em janeiro de 2017

Mapa do estudo aponta uma amopstra de contaminação na fronteira (Foto: Internet)

Um estudo publicado neste mês revelou a presença de agrotóxico na água distribuída para a população brasileira em diversos municípios pegou a todos de surpresa: conforme relatório elaborado entre os anos de 2014 e 2017, por meio de pesquisa de campo do Controle do Sistema de Informação de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano (Sisagua), órgão que pertence ao Ministério da Saúde, apontou que 1 em cada 4 municípios do Brasil bebem água contaminada com algum tipo de agrotóxico.
Nesse período do estudo, as empresas de abastecimento de 1.396 municípios detectaram 27 pesticidas que são obrigados, por lei, a testar. Desses, 16 são classificados pela Anvisa como extremamente ou altamente tóxicos e 11 estão associados ao desenvolvimento de doenças crônicas como câncer, malformação fetal, disfunções hormonais e reprodutivas.
Entre os locais com contaminação múltipla estão as capitais São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza, Manaus, Curitiba, Porto Alegre, Campo Grande, Cuiabá, Florianópolis e Palmas.
Os dados são do Ministério da Saúde e foram obtidos e tratados em investigação conjunta da Repórter Brasil, Agência Pública de Jornalismo Investigativo( www.apublica.org ) e a organização suíça PublicEye.
Os números revelam que a contaminação da água está aumentando a passos largos e constantes. Em 2014, 75% dos testes detectaram agrotóxicos. Subiu para 84% em 2015 e foi para 88% em 2016, chegando a 92% em 2017. Nesse ritmo, em alguns anos, pode ficar difícil encontrar água sem agrotóxico nas torneiras do país.

Contaminação na região

De acordo com o relatório, várias cidades do Rio Grande do Sul apresentaram contaminação nas amostras coletadas, sobretudo na região da fronteira, em cidades como: Caçapava do Sul,Bagé, São Gabriel, Rosário do Sul,Quaraí, Candiota, Hulha Negra, Aceguá, Dom Pedrito e Sant’Ana do Livramento.

Agrotóxico Carbendazim foi encontrado na água potável emLivramento

O Jornal A Plateia teve acesso aos dados revelados pelo relatório da Agência Pública de Jornalismo Investigativo, que desenvolveu um mapa demostrando todas as cidades do país que apresentaram algum tipo de contaminação na água potável, ou seja, água que é consumida pela população.


A pesquisa revelou que uma amostra coletada em Livramento, no dia 16 de janeiro de 2017, em uma saída de tratamento/pós-desinfecção na região conhecida como Cidade das Luzes (zona rural do município), apontou a presença do agroquímico Carbendazim. Conforme o estudo, esta substância é associada a doenças crônicas como câncer, defeitos congênitos e distúrbios endócrinos.
Obs: Detecção e concentração de agrotóxicos de 2014 a 2017 de acordo com dados de Controle do Sistema de Informação de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano (SISAGUA), do Ministério da Saúde. Levantamento feito em abril de 2018 não reflete atualizações feitas desde então.

Sobre o agrotóxico encontrado no munícipio 

O fungicida está na lista da PesticideAction Network (PAN) avaliado como Altamente Perigoso. A União Europeia classifica o agrotóxico como provável causador de problemas mutagênicos, que pode causar dano no DNA, e tóxico para o sistema reprodutivo. No Brasil, o carbendazim é usado para combater a praga pinta preta (também conhecida por seu nome em inglês “black spot”), que deixa manchas escuras nas folhas dos laranjais. Em 2012, os EUA proibiram a importação do suco de laranja brasileiro devido à presença deste fungicida nos produtos. Classificação no Brasil carbendazin: III (Medianamente Tóxico) é autorizado no Brasil e proibido na União Europeia.
Percentual de detecção na água do Brasil: 92% (24.478 detecções de 26.658 testes feitos em todo o país); Número de vezes em que a concentração detectada estava acima do limite Brasileiro: Número de vezes que a concentração detectada estava acima do limite da União Europeia: 4.757; Limite máximo permitido na água do Brasil: 120µg/L ; Limite máximo permitido na água da União Europeia: 0.1μg/L ; Total vendido no Brasil em 2017: 3.748,26 segundo dados do Ibama.

O que dizem os especialistasDEO DAE

Alexandra Bravo, engenheira química do DAE
(Foto: Matias Moura/Ap)

Os profissionais e técnicos do Departamento de Água e Esgotos (DAE) tranquilizam a população ao afirmar que a água potável de Sant’Ana do Livramento é retirada de poços artesianos e existe um trabalho bastante rigoroso de controle da qualidade da água potável, não existindo nenhuma possibilidade da água que chega às torneiras dos santanenses de estar contaminada.
Segundo a engenheira química do DAE,Alexandra Bravo, são realizados exames, periodicamente, em todos os poços artesianos do município abastecidos com a água que vem do subsolo, diretamente do aquífero Guarani, não existindo nenhuma coleta de água superficial para abastecimento da população, que eventualmente pode conter algum tipo de contaminação. Segundo ela, a água que chega aos santanenses passa por um processo de controle de qualidade extremamente detalhado,além de exames laboratoriais para certificação do consumo humano.
Sobre o estudo feito pelo Controle do Sistema de Informação de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano (SISAGUA), órgão que pertence ao Ministério da saúde, a técnica disse desconhecê-lo até a divulgação feita, nesta semana pelo site do Jornal A Plateia, mas que a autarquia já entrou em contato com os órgãos competentes para ter acesso ao conteúdo.
Segundo Carlos Henrique, engenheiro ambiental, responsável pela limpeza dos reservatórios, o DAE vem desenvolvendo um projeto de monitoramento constante nos pontos de coleta da água que abastece o município e que também não teve acesso ao tipo de estudo ou relatório que foi elaborado. “Nós estamos à disposição aqui para informar a população e realizar todos os testes necessários. Nós não sabemos, por exemplo, como foi feita essa coleta, se foi superficial ou subterrânea, mas mesmo assim nós podemos tranquilizar a população em relação à qualidade da nossa água”.
Questionado ainda sobre a possibilidade de a água subterrânea ser contaminada por agrotóxico, o engenheiro disse que é mínima essa chance, diferentemente da água de superfície que está mais vulnerável.
O supervisor operacional do DAE, Jânio Chipolino, disse que a população pode ficar tranquila quanto à água que é distribuída. “A população pode ficar tranquila porque nós temos, sim,a melhor água do mundo. E, tenho certeza que ficou bem claro da qualidade do nosso serviço através da fala dos nossos técnicos. As pessoas podem tomar água, tranquilamente, em casa, mesmo assim nós iremos buscar este estudo. Mas, temos certeza, que isso foi um caso isolado e não compromete a qualidade da nossa água”.

Carlos Henrique, engenheiro ambiental
(Foto: Matias Moura/Ap)

Matias Moura – [email protected]

Deputado Afonso Hamm apresenta projeto para garantir o funcionamento das Usina Termelétrica de Candiota e Transição Energética Justa

Um novo projeto de lei (PL) 1371/2015, de autoria do deputado federal Afonso Hamm, foi apresentado nesta semana na Câmara dos Deputados. A proposta altera a Lei nº 10.848/2004, visando assegurar a Transição Energética Justa e a sobrevivência socioeconômica das regiões carboníferas do Sul do Brasil, além de fortalecer a segurança energética do setor elétrico brasileiro (SEB). O PL 1371/1025

📌 Café do Instituto Unimed/RS

Participe do Café do Instituto Unimed/RS. O evento contará com Vitelio Brustolin, pesquisador de Harvard e professor de Relações Internacionais da UFF. Colaborador para análises geopolíticas na CNN, Globo, Record e outros. Não perca! 📆 Dia: 24 de abril. ⏰ Horário: 19h. 📍 Local: Casa da Memória Unimed Federação/RS, Rua Santa Terezinha, 263, Porto Alegre. 🔗 Formato: presencial 📧 Inscrição via link: