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Rural

Abelhas sem ferrão criadas no quintal de casa

Mário Forjarini, conta com 150 colmeias divididas em cinco espécies de meliponas

Meliponicultura é um termo pouco conhecido para a maioria das pessoas, mas bem comum entre os produtores de mel, própolis, pólen e cera, acostumados a lidar com abelhas. Neste caso, o termo pouco falado serve para designar a criação de abelhas sem ferrão, que são mais comuns no Brasil do que se imagina.
Segundo criadores, o Brasil possui 300 das 400 espécies desse tipo de abelha que existem no mundo. Elas já estavam aqui antes da introdução das abelhas europeias e africanas e, por isso, são consideradas nativas. Como não possuem ferrão nem toxina, também têm fama de dóceis.
De acordo com a Secretaria do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SEMA), no Rio Grande do Sul, são criadas 24 espécies de abelhas sem ferrão. Dentre elas, alguns nomes populares das espécies: Iratim - abelha limão, Guaraipo - pé de pau, Manduri, Mandaçaia, Mirim no chão - bieira, Iraí, Mirim sem brilho, Mirim, Mirim droriana - boca de sapo, Mirim emerina, Mirim, Mirim nigriceps, Mirim guaçu, Mirim saiqui, Mirim mosquito, Tubuna, Canudo, Tubuna, Mel de Chão - guiruçu, Vorá, borá, jataizão, Jataí - alemanzinho e Irapuá.
Em Sant’Ana do Livramento, Mário Forjarini, há 18 anos, cria cinco espécies de melíponas: Tubuna, Mandaçaia, Jataí, Manduri e Mirim. As primeiras abelhas, além das que já existiam na cidade, ele trouxe de Tiradentes- RS, a partir disso foi trabalhando e agregando as genéticas. Trouxe de outras regiões e o processo foi a multiplicação. Mário diz que dá prioridade para a Jataí, para captura e divisão, porque elas já vêm com a rainha.
Segundo o criador, a mandaçaia é uma abelha muito bonita, mais ornamental e tem o hábito de trabalhar bem cedo, nas primeiras horas da manhã. Sua característica principal são as faixas amarelas no abdômen. A entrada do ninho é localizada no centro de estrias convergentes de barro, por onde passa apenas uma abelha de cada vez. Em colônias fortes podem ocorrer uma forma branda de agressividade, mas raramente beliscam o meliponicultor. O local de nidificação são ocos de árvores, entre 1 a 10 metros acima da base dos troncos. Essa espécie é incluída na lista das ameaçadas de extinção no estado.
Mário tem hoje em torno de 150 colmeias no quintal de casa. Destaca que a abelha Jataí é a mais interessante para criação devido ao trabalho que ela faz. A facilidade de criar e se multiplicar. Essa espécie tem se firmado como uma boa opção aos meliponicultores. Ela tem algumas vantagens sobre as africanizadas ou europeias, pois é uma abelha bastante rústica, tem grande capacidade para fazer ninhos e sobreviver em diferentes ambientes, inclusive em zonas urbanas. A Jataí utiliza os mais variados locais para nidificação, visitam plantas cultivadas e fazem os ninhos em diferentes tipos de cavidades.
São os serviços ambientais de polinização prestados pelas abelhas em ecossistemas naturais e agro ecossistemas sua principal contribuição para o homem e o meio ambiente. A meliponicultura é uma atividade ecologicamente correta, de baixo investimento inicial e com boas perspectivas de retorno financeiro, demostrando ser uma excelente alternativa de geração de renda.
A SEMA, por meio do Departamento de Biodiversidade, incentiva a criação, manejo e conservação de abelhas nativas sem ferrão como instrumento de promoção do desenvolvimento sustentável no Rio Grande do Sul. Por isso, criadores de abelhas nativas, devem regularizar seu meliponário. Aqui no município, cerca de dez meliponários são cadastrados.
Segundo Forjarini, as abelhas sem ferrão conseguem produzir de meio a um quilo por cada colmeia, mas para isso é preciso ter conhecimento técnico, saber cuidar, não deixar faltar alimento para elas e a área deve ser preservada. Em razão da pouca produção de mel, ele também comercializa as colmeias.
“Temos que dar mais atenção ao trabalho das abelhas, elas são bases de toda produção. Preservação das espécies, uma forma de nidificar a natureza. Quanto mais abelhas, mais flores, mais sementes, mais frutos para animais e alimento para o próprio homem”, destaca Forjarini.
Como cuidados, o criador diz que o meliponário tem que estar abrigado dos ventos frios, pode ter uma área murada e árvores que protejam as correntes frias. Devem-se manter os enxames com bastante população para a entrada do inverno, quanto maior o número de indivíduos na colmeia melhor a possibilidade de passar o inverno tranquilo, além de uma boa reserva de alimentação.

Por: Lauren Trindade – Laurentrindade@jornalaplateia.com - 14/04/2018 às 0:00

 

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