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Política

“Eu fui afastada do Governo”

Em entrevista, vice-prefeita Mari Machado conta como foram os últimos dias antes de ser exonerada das secretarias e reafirma seu compromisso com a cidade

Há três semanas, Sant’Ana do Livramento recebeu a confirmação da notícia que todos já comentavam: a exoneração da vice-prefeita Mari Machado (PSB) das secretarias que ela ocupava. Nessa semana, a segunda pessoa na linha sucessória no comando do Executivo Municipal confirmou que foi “afastada do Governo” pelo prefeito Ico Charopen (PDT). Segundo Mari, desde a última vez que ela concedeu uma entrevista ao Grupo A Plateia, começou a ser bastante questionada com relação ao seu papel na Prefeitura. Há três semanas, Sant’Ana do Livramento recebeu a confirmação da notícia que todos já comentavam: a exoneração da vice-prefeita Mari Machado (PSB) das secretarias que ela ocupava. Nessa semana, a segunda pessoa na linha sucessória no comando do Executivo Municipal confirmou que foi “afastada do Governo” pelo prefeito Ico Charopen (PDT). Segundo Mari, desde a última vez que ela concedeu uma entrevista ao Grupo A Plateia, começou a ser bastante questionada com relação ao seu papel na Prefeitura.

Como tudo começou

Mari lembrou sobre o papel que teve o PSB na campanha que a elegeu ao lado do prefeito. “Lembro que foi uma história que começou a ser construída pelo Airton da Rede, pelo Wainer e lembro que, em determinado momento, o meu partido me chamou aqui para cumprir uma tarefa e eu entendi naquele momento que eu deveria ser candidata a vice, embora o partido quisesse que eu fizesse uma disputa de prefeita. Dessa forma começou a ser feita uma conversa com o atual prefeito”, contou.
A vice-prefeita complementou a história com detalhes. “Eu me lembro quais foram os três temas que eu toquei no dia da primeira conversa como condição para construir essa parceria. Eu frisei que o PSB faz campanhas organizadas e monitoradas; que nós não trabalhamos com ataques; e tratei sobre lealdade. Para construir uma aliança política tem que ter um complemento de confiança e lealdade entre as pessoas. Nós não somos um partido de aluguel, que se vende para uma composição política. Nós somos um partido que governou Livramento por dois mandatos, que não fez tudo, mas acertou muito, tem obras aí para serem mostradas e temos orgulho disso”, destacou.

A campanha

Em sua fala, a vice-prefeita afirmou ter dado a sua total contribuição. “Acredito que as pessoas votaram em uma chapa. Assim como o prefeito tem seus votos, eu também tive um peso (e eu não estou falando isso por vaidade, mas porque eu ouço a manifestação das pessoas) e dessa forma eu respeitei essa coligação desde sempre. Assumi os papéis que no Governo, sendo que a Secretaria Geral foi a minha escolha na condição de vice e integrante do Partido que foi fundamental na eleição, inclusive financeiramente. A Secretaria de Planejamento, Meio Ambiente e Habitação assumi em um contexto de contenção de gastos, todas elas com afinco. Eu sou uma pessoa trabalhadora, eu vim para Livramento para trabalhar para a cidade, eu não teria outro motivo para vir pra Livramento, já que meus filhos são adultos e tem independência em suas vidas. Eu estava lá no PSB Nacional, hoje, se eu estivesse lá, certamente eu estaria na coordenação da campanha do Joaquim Barbosa”, frisou ela.

Sem escolha

Em um dos momentos mais delicados da entrevista, a vice-prefeita contou em detalhes como foi que tudo aconteceu. “Eu fui afastada do Governo, eu não escolhi sair. Eu fui afastada, inclusive formalmente, o meu partido foi comunicado que o prefeito estaria requisitando as secretarias ocupadas por mim. Essa é a realidade dos fatos”. “Eu não sou uma pessoa de atacar pessoalmente ninguém, mas eu defendo a verdade. Eu tenho, inclusive aqui, o ofício assinado onde está sendo requisitado, avocando para si as secretarias”, disse ela mostrando o papel assinado pelo prefeito.

Continuará vice-prefeita

Segundo Mari, não houve argumentação. “Eu acho importante que a comunidade saiba como as coisas realmente aconteceram, e saiba também que eu não deixarei de ser vice-prefeita. E mais: ouvi várias vezes que eu teria saído para ser candidata. Quero esclarecer que se meu partido não anunciou candidatura de ninguém e eu não autorizei ninguém a me lançar candidata. Eu fui indicada em um encontro nacional de mulheres do PSB. O meu partido no Estado e no Município desejam isso. Mas eu jamais tomaria uma iniciativa dessa – porque eu tenho lealdade – sem conversar com o meu parceiro de chapa, ao contrário da atitude que foi tomada comigo. Sim, eu estou triste. Eu sou leal às pessoas, vocês podem conversar com qualquer um que trabalhou comigo, essa é uma característica da minha personalidade. A única atitude que eu tomei, nas 14 vezes que eu assumi o mandato de prefeita, foi nomear o advogado do Controle Interno, a pedido do Tribunal de Contas que estava fazendo uma auditoria regular aqui na Prefeitura e assim solicitou”, lembrou.

Sem conversa

A vice-prefeita aproveitou o momento para desabafar. “Essa escolha feita pelo prefeito, obviamente não é uma coisa construída de ontem para hoje. Eu nuca falei isso publicamente, mas desde o dia 31 de dezembro o prefeito não conversava comigo, então eu acho que é uma decisão política. Lamento, por conta do compromisso que o PSB demonstrou na campanha, da lealdade que eu tive no exercício do mandato e como secretária. Eu compreendi essa aliança como a eleição de uma chapa, de um prefeito e uma vice. Eu espero não ser privada do exercício de vice-prefeita. Quero garantir as pessoas que, mesmo que a decisão seja essa, de ser candidata à deputada, eu continuarei vice-prefeita, não preciso e não vou me licenciar”, apontou.

Compromisso quebrado 

Durante a entrevista, Mari confirmou que foi chamada para uma reunião administrativa há três semanas com o seu chefe de gabinete. “Eu chamei o meu partido, pois já tinha uma série de conversas na cidade sobre minha saída e foi neste momento que eu soube”, apontou ressaltando que não é uma pessoa que foge de desafios.
Mari destacou também que se surpreende com algumas situações, como a falta de convite para reuniões com o secretariado, entre outras. “Na sexta-feira eu fui comunicada pelo Eder, que está ao meu lado desde a campanha, que ele havia sido demitido. Não houve uma conversa comigo”, relatou. E complementou. “Nesta última semana me foi retirada a sala de minha assessoria. Eu me sinto desrespeitada”, enfatizou ela.

Recado para a população

“Eu garanto às pessoas que o meu comprometimento continua o mesmo com Livramento. Eu não sou uma pessoa que tenho ambições políticas, mas eu tenho o desejo de que as coisas melhorem. Eu acredito muito em Livramento, eu acho que a cidade tem um potencial enorme. Nós estamos vivendo uma situação dramática do ponto de vista financeiro. O país está vivendo isso e reflete aqui no Município. Mas, a cidade tem um potencial muito grande, os free shops vão acontecer, isso é uma realidade para nós. Tem a questão do turismo, através do Amsterland, da energia éolica, todas ações que irão promover o desenvolvimento”, disse.
Ao final da entrevista Mari agradeceu o apoio dos servidores e reafirmou seu compromisso com o Programa de Governo construído com o apoio da Fundação João Mangabeira, do PSB, e disse que o Partido nunca fez ou fará discussão de cargos e que o único desejo é trabalhar por Livramento. “Vamos em frente porque a cidade precisa é de trabalho, transparência, respeito e desenvolvimento”.

Por: Rodrigo Evaldt - rodrigo@jornalaplateia.com - 14/04/2018 às 0:00

 

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