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Segurança

Polícia confirma estupro de estudante

Fato teria acontecido durante uma festa entre calouros e veteranos fora das dependências da Universidade

O caso chamou a atenção durante a semana após estudantes e simpatizantes de Movimentos Feministas cobrarem uma atitude da Instituição de Ensino e da polícia sobre o fato de uma jovem de 17 anos de idade ter sido vítima de um estupro quando ela estava numa festa com outros universitários. A polícia está em fase de conclusão das investigações, mas confirmou pelo menos uma autoria do crime. A jovem deixou de frequentar as aulas após fazer a denúncia. Segundo pessoas ligadas a vítima, um suposto vídeo da festa estaria circulando entre alunos da Universidade e, depois de lembrar-se dos fatos, a jovem teria decidido fazer a queixa na Delegacia de Polícia. 

“Não houve silêncio, agimos rapidamente”

A denúncia foi levada para a Delegacia de Polícia e imediatamente foram iniciadas as investigações. Segundo a Delegada de Polícia responsável pelo caso, Giovana Muller, não houve “abafamento da situação”, mas sim o sigilo necessário para dar andamento às investigações. O caso foi bastante grave e a autoridade policial aguarda relatório e perícias finais para concluir o inquérito.

O caso 

De acordo com a delegada Giovana Muller, o abuso teria acontecido no dia 8 de março, numa confraternização de veteranos e calouros organizada no apartamento de um dos estudantes. Na ocasião, a estudante teria sido estuprada por outro colega da Uergs.
A delegada disse em entrevista a GZH — Foi no apartamento de um deles. Eles se reuniram, beberam e a menina não estava em condições de entender o que estava acontecendo quando houve o estupro — explicou a delegada.
Ainda de acordo com a delegada, a adolescente de 17 anos registrou o caso cinco dias depois, em 13 de março, quando começou a relembrar do que havia acontecido. Após o registro da ocorrência, a Polícia Civil priorizou a investigação do caso. A Polícia não confirmou a existência do vídeo.
Ainda em matéria publicada pela GZH — No começo, houve boatos de que teria ocorrido um estupro coletivo, mas essa possibilidade está afastada. A menina estava com a capacidade dela reduzida em razão da bebida alcoólica. Foi estupro de vulnerável, isto nós já constatamos. Os depoimentos nos apontam para um agressor — complementou a Delegada.

Em Nota a Universidade de manifestou

A Universidade Estadual do Rio Grande do Sul, diante da nota de repúdio publicada pela Marcha Mundial das Mulheres RS (mmm-rs.blogspot), vem publicamente esclarecer o que segue:
Diante da gravidade do fato noticiado, envolvendo estudantes da Instituição, a UERGS adotou as medidas cabíveis em caráter imediato acolhendo a estudante e seus familiares; encaminhando-a ao Centro de Referência local, onde recebeu atendimento médico, psicológico e jurídico; e orientando-a quando aos procedimentos que deveriam ser tomados perante a autoridade policial para a apuração do crime. Ao mesmo tempo, trouxe o tema para o centro da discussão acadêmica promovendo evento de caráter educativo, inclusive chamando à participação não só da instituição pública, mas também entidades da sociedade civil, para tratar sobre o tema da violência contra a mulher da forma mais abrangente possível.
Assim, A UERGS se solidariza e compartilha o posicionamento de absoluto repúdio à violência contra a mulher e, tendo tomado todas as medidas cabíveis até este momento, aguarda o desfecho do processo criminal para a adoção de demais providências, inclusive de natureza disciplinar e manifesta publicamente que diante da situação de extrema gravidade não se quedou silente, mas ao contrário, adotou todas as medidas nos limites da sua competência.
Anor Guedes
Diretor Regional
UERGS - Campus Santana do Livramento

Movimentos Sociais se manifestaram sobre o caso 

O Movimento de Mulheres no Rio Grande do Sul lançou uma Nota de Repúdio sobre caso envolvendo a jovem universitária. Segundo documento, as lideranças dos movimentos feministas cobram uma resposta do caso envolvendo alunos da Universidade. Uma Nota foi publicada na Internet e assinada pela Marcha Mundial das Mulheres do Rio Grande do Sul – Coletivo Santana do Livramento, Coletivo LivraElas, Setor de Gênero do Movimento Sem Terra e Instituto Mulheres de Santana. 

Cultura do estupro, o que é

Segundo pesquisadores, o termo “cultura do estupro” tem sido usado desde os anos 1970, época da chamada segunda onda feminista, para apontar comportamentos sutis ou explícitos que silenciam ou relativizam a violência sexual contra a mulher. A palavra “cultura” no termo “cultura do estupro” reforça a ideia de que esses comportamentos não podem ser interpretados como normais ou naturais. “Se é cultural, nós criamos. Se nós criamos, nós podemos mudá-los”.

Na visão da Delegada Giovana Muller situações como estas devem ser tratadas com cuidado e a Sociedade precisa sim debater assuntos como estes.

Por: redacao@jornalaplateia.com - 14/04/2018 às 0:00

 

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