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Segurança

“Não vou desistir, se for preciso vou acorrentar ele” diz mãe de dependente químico

Silvana pede ajuda para conseguir internar o filho em clínica para tratamento

Uma dura realidade vivida, diariamente, por milhares de famílias é a questão da dependência química. Ela está presente em todas as classes sociais e é uma das mazelas da sociedade moderna. De um lado, o submundo da narcotraficância que arrecada cifras astronômicas com a venda ilícita de substâncias entorpecentes, de outro, as forças policiais que trabalham, incansavelmente, no combate a este mal do século, e no meio do fogo cruzado estão as famílias dos dependentes químicos.
Como é o caso de uma mãe, que realizou um desabafo na porta da Delegacia de Pronto Atendimento na manhã dessa sexta-feira (9) porque seu filho, que é usuário, foi detido mais uma vez.
Silvana Gonçalves, 57 anos, convive há 17 com o problema da dependência química do seu filho, Tiago Gonçalves Linhares, de 33 anos. Segundo Silvana, o filho teria começado utilizar drogas aos 14 anos de idade aqui em Santana do Livramento. “Na época, eu não morava aqui, e ele conta que começou a usar maconha aos 14 anos quando veio morar com o pai. Depois que descobri que ele era usuário fiz a primeira internação. Ele já passou por 17 fazendas de reabilitação e mais umas 8 clínicas” contou.
A mãe, que aguardava do lado de fora da delegacia de polícia enquanto mais um registro de ocorrência era feito envolvendo o seu filho, disse que a situação com ele começou a se complicar quando Tiago teve acesso ao crack no tempo de quartel. “Ele disse que fumava crack no quartel, porque lá ele conheceu uma pessoa e durante as noite de ronda eles se drogavam” contou Silvana.

Mãe registrava ocorrência de agressão para proteger o filho 

Durante a conversa, Silvana revelou que seu filho nunca lhe agrediu, embora existam 26 ocorrências registradas por ela por agressão. “Ele nunca me agrediu. Todas as vezes fui eu que registrei. Eu era obrigada a dizer que ele que tinha me batido para que ele fosse preso. Era a única maneira. Porque, por outro motivo, a polícia não prendia. Só que agora eu não vou mais mentir, se ele tiver que ir preso, que seja.

Esperando a internação

Silvana disse que desde dezembro, quando o filho saiu do presídio está tentando realizar a internação dele em uma unidade de tratamento em Uruguaiana, mas até o presente momento não conseguiram vaga. Ele já esteve internado duas vezes na Santa Casa, e nas duas oportunidade ele fugiu de lá”, relata. Segundo a mãe, ela foi informada pela direção do hospital que a instituição não é o local adequado para este tipo de tratamento. Silvana também foi orientada a prosseguir dando medicação ao filho em casa.
A mãe disse também que procurou o CAPS e que aguarda por uma vaga para a internação de Tiago. “É uma situação bastante complicada. E ele não quer tomar os medicamentos, achando que ele para quando quiser. Só que não é assim. Mas eu vou continuar lutando pelo meu filho, nem que tenha que “acorrentar”. Se tiver que fazer um quarto com uma corrente e toda a vez que ele precisar e tiver dependência, vou acorrentar ele” desabafou a mãe.

Solto na mesma hora

Segundo a mãe, o fato que levou Tiago a ser detido pela Brigada Militar na manhã de ontem, foi o descumprimento de uma ordem judicial que lhe impedia de se aproximar de uma determinada pessoa. “O fato é o seguinte, ele ia pedir dinheiro para um senhor que tem um comércio, e o senhor dava. Aí, fui lá e pedi para ele não dar mais dinheiro porque o Tiago ia comprar droga. Aí, sugeri para o dono do comércio registrar uma ocorrência solicitando o afastamento e foi o que aconteceu. Daí, na manhã de hoje (sexta-feira) ele descumpriu depois de passar a noite inteira se drogando “
Após ser lavrado um termo circunstanciado e marcada audiência no fórum para Tiago responder pelo descumprimento da medida cautelar, ele foi liberado.

Por: redacao@jornalaplateia.com - 10/02/2018 às 0:00

 

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