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Política

“Eu não sou ladrão, eu não sou”

Vereador Lídio Mendes Melado fala sobre Operação Laranja Mecânica que o levou à prisão cautelar por 10 dias na Penitenciária Estadual de Sant’Ana do Livramento

Depois de 10 dias detido preventivamente, o vereador Lídio Mendes (PTB), o Melado, concedeu entrevista coletiva, nessa sexta-feira (1°). Melado foi alvo da Operação Laranja Mecânica, deflagrada na primeira hora da manhã de terça-feira, 21 de novembro. O parlamentar deixou a Penitenciária Estadual de Sant’Ana do Livramento na madrugada de sexta.
Inicialmente o vereador disse que, durante o tempo em que esteve preso, a Polícia Federal o havia questionado sobre dois temas. “Duas acusações que estão em investigação pela Polícia Federal. Uma delas é sobre uma reunião marcada com os empresários do transporte de Sant’Ana do Livramento. A segunda acusação que está sob investigação é de telefonemas que eu estou cobrando de um empresário de Sant’Ana do Livramento”, disse o parlamentar.
De imediato, Melado tratou do primeiro tema da investigação. “Primeiro fato, é que marquei sim, fui procurado pelos empresários para que marcasse uma entrevista com o prefeito. Isso foi divulgado, não foi nada às escondidas. Mesmo ele não queria marcar, mas marcou a reunião com os empresários em outra data. Três vereadores mais a secretária de Educação, mais outros vereadores, eu não estava”, argumentou.
E continuou a falar sobre o segundo questionamento que, segundo ele, os policiais federais haviam feito. “Segundo fato: eu liguei para o empresário cobrando dele sim. Vou ligar e continuar cobrando dele, sim, pois esse dinheiro é de quando eu me divorciei, há 02, 03 anos. Eu comprei uma chácara, que eu vendi o ano passado. (Da venda) tocou vinte e nove mil setecentos e pouco para este vereador. Um ano antes da eleição eu fui lá e pedi a esse empresário,meu amigo, que guardasse para mim, 20 mil reais e, na eleição tu me dá aos poucos, eu disse para ele”, contou.
E emendou. “Essas são as duas acusações que eu estou sendo investigado, não sei se serei acusado. Está aqui os empréstimos que eu tirei e tenho como comprovar aos senhores. É tão simples investigar a minha vida”, disse ele mostrando alguns papéis.
O parlamentar continuou falando e destacou o que chamou de injustiça. “O que me entristece é que eu fui tratado injustamente por coisas que eu não fiz. O que eu estou sendo acusado eu disse. Eu marquei reunião sim, e não nego, mas quem definiu a data da reunião foram os vereadores da bancada do prefeito”, comentou.
Melado falou ainda de sua tristeza ao ser algemado e destacou momentos no presídio. “ É triste, senhores, chegar algemado, coisa que eu tanto lutei, disse para o meu filho que ele nunca seria preso, que eu sempre o daria o sustento... E eu estava lá, preso, todos me conhecem sabem quem eu sou. Se eu fiz alguma coisa de errado, quero voltar para lá... Tanto lutei por causa desse nome. Não sou dono da verdade, acredito ainda nas instituições, na Polícia Federal, no Ministério Público, na Polícia Civil, mas provem agora. Por incrível que pareça eu me senti em casa lá, porque aqueles que estão lá, são da minha vila, do meu bairro. Assim como me dou com eles, me dou com os donos das empresas”, comparou ele.
O momento mais impactante da entrevista coletiva foi quando o parlamentar se emocionou e disse: “eu não sou ladrão, eu não sou. Estou fazendo a minha casa há doze anos. E quem montou o teto da minha casa foram os meus amigos que eu ajudei a mãe quando estava doente”, disse. E continuou. “Peço desculpa sim, mas somente aos meus filhos. E aqueles que mandaram mensagem, que denegriram a minha imagem perante aos meus filhos, só tem uma pessoa (para julgar), é Deus. A segunda, a terceira e a quarta, é o Ministério Público, a Polícia Federal e a Polícia Civil. A quinta é os senhores (imprensa) perguntem quem sou eu”, apontou.
No fim, Melado relatou como era na prisão. “Cinco pessoas em uma pecinha de 5 por 5, comendo com uma colher só, dividir cinco, sem uma luz, apenas uma janela e um colchão. Tirei de letra essa, mas injustiça não”, finalizou.
O vereador encerrou agradecendo a imprensa santanense e deixou à disposição para questionamentos.
Entre as perguntas, o jornal A Plateia perguntou se ele confirmava o que havia sido levantado durante a fase de investigação, de um possível lobby por parte dele. O vereador respondeu negativamente, dizendo que o único envolvimento dele foi a solicitação da reunião.

Por: Rodrigo Evaldt - rodrigo@jornalaplateia.com - 02/12/2017 às 0:00

 

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