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Especial

Conheça a história das músicas “Negro de 35” e “O Minuano e o Poeta”

A Reportagem do Jornal A Plateia foi conversar com o músico Clóvis de Souza coautor das composições que marcaram época no cenário da música nativista do estado.

Acontece na cidade de Uruguaiana nos dias 8 a 10 de dezembro a 40ª Edição da Califórnia da Canção Nativa do Rio Grande do Sul, evento que promete grandes emoções pois será, sem dúvida, uma edição histórica. Considerada pelos músicos gaúchos, pelo grande público e a imprensa do estado, como o maior festival de música nativa, sendo o primeiro a ser criado no Rio Grande do Sul na década de 70 neste formato, quando os festivais de música popular brasileira estavam em seu auge.
Do palco da Califórnia saíram verdadeiros clássicos da música regional tais como: Esquiador, Veterano, Guri, Negro da Gaita, Desgarrados, Vento Negro, Tertúlia, Pedro Guará entre outras. E ao longo de sua história muitos músicos surgiram e fizeram carreira na música gaúcha tendo sua iniciação em seu palco sagrado.

Livramento e a Califórnia

Muitos santanenses brilharam no palco na Califórnia ao longo destes 40 anos, e por esta razão é que a partir de hoje o Jornal A Plateia irá apresentar uma série de reportagens contando as histórias desses músicos, compositores e poetas que escreveram seus nomes na história da música regional.

Negro de 35

Com quase 50 anos dedicados à música gaúcha, o santanense Clóvis de Souza coleciona vários títulos em festivais de música, além de ter sido integrante de grandes grupos de baile como Os Andarilhos, conjunto que na década de 80 fez muito sucesso Brasil afora.
Já a sua participação em festivais de música nativa iniciou no ano de 1987 justamente na Califórnia, alguns anos antes, mais precisamente na 17ª edição quando Clóvis de Souza e o poeta santanense, José Rufino de Aguiar Filho classificaram a música Negro de 35, dando início a parceria vitoriosa com o cantor símbolo da Califórnia, César Passarinho. “Essa parceria surgiu de uma forma bastante inusitada. Lembro que a gente tinha um escritório no centro da cidade e foi ali que fiquei sabendo que faltava apenas um dia para encerrar as inscrições para o festival e liguei para o Aurélio Leal (músico uruguaio) para a gente gravar ela. Só que o único horário que consegui foi em um domingo ao meio o dia, aí você imagina como foi. Gravamos ela em um gravadorzinho pequeno – a pilha - e mandamos ela para a Califórnia. A música acabou passando. Foi então que aconteceu a maior surpresa a própria comissão organizadora da Califórnia nos enviou a sugestão para que o interprete fosse o Passarinho, nós aceitamos e ele veio para Livramento ficou na minha casa para que a gente pudesse ensaiar a música” lembrou.
O músico contou também detalhes sobre a apresentação que encantou o público naquela edição da Califórnia. “Foi uma loucura quando a gente foi passar a música de tarde, as pessoas gritavam já ganhou, o clima foi maravilhoso. De noite na hora da apresentação todos nós estávamos muito nervosos no palco com uma responsabilidade muito grande pois o Passarinho já era um nome consagrado naquela época. A gente começou a tocar a música e o público aplaudiu do início ao fim, ela encaixou com a interpretação do Passarinho que foi magistral. Para mim, sem dúvida nenhuma, ele foi e continua sendo o melhor intérprete da música gaúcha. Foi um momento único”, comentou.
Apesar da composição “Negro de 35” ter tido toda essa aceitação no palco, infelizmente ela não venceu o festival, perdendo para a música Pampa Pietá que sangrou-se campeã da 17ª Califórnia no ano de 1987. “Nós perdemos, mas perdemos para uma música muito boa que foi interpretada pelo Délcio Tavares, até hoje onde a gente se encontra ele lembra daquela edição e elogia muito o nosso trabalho” contou.

O Minuano e Poeta

Um dos prêmios na estante do músico Clóvis de Souza chama a atenção pela sua importância histórica, trata-se de uma medalha com a figura de uma Calhandra representando a maior conquista de sua carreira, o primeiro lugar na 22ª Califórnia da Canção Nativa com a composição da O Minuano e o Poeta , que tem letra do poeta santanense Lauro Simões e a música de sua autoria sendo interpretada por César Passarinho e a cantora uruguaia Carmem Letícia. “Ganhei um presente do Lauro, pois essa letra é maravilhosa. Demorei quase três meses para fazer a música, tive todo o cuidado para criar uma melodia que casasse com a poesia. Quando eu recebi a letra pensei – era isso que eu queria – o Lauro escrevia muito e ele entendeu o que queria e transmitiu para o papel. Gravamos ela: eu e o Luiz Cardoso, aí começamos a pensar em duas vozes para cantar ela e chegamos à conclusão de convidar o Passarinho e a Carmem Letícia. Ela passa na Califórnia e foi o mesmo caso do Negro de 35, já na passagem de som o pessoal começou a dizer que a gente ia ganhar, mas nós ficamos tranquilos e apresentamos um bom trabalho no palco. Aí não deu outra: ganhamos a Califórnia. Até hoje, de todos os trabalhos que eu tenho, os que gosto mais são o Negro de 35 e o Minuano e o Poeta, não por causa da Califórnia mas porque são músicas muito bonitas” disse.
Após 25 anos de sua maior conquista, o músico segue participando dos festivais nativistas e carrega a honra de ter seu nome gravado entre a galeria das composições antológicas da Califórnia da Canção Nativa.

 

Por: Matias Moura - matiasmoura@jornalaplateia.com - 30/11/2017 às 0:00

 

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