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Especial

Lixo de Fronteira

Entre o Brasil e o Uruguai, linha divisória é preenchida com muito lixo.

Uma questão recorrente e, aparentemente comum a muitas cidades brasileiras, é o lixo e o seu descarte incorreto. Rios, arroios, lagos, açudes e mesmo terrenos urbanos se tornaram grandes depósitos de lixo. Em Livramento, o cenário não muda muito e assim pode ser visto também na reportagem do Lago Batuva nas páginas 4 e 5.
Neste especial, além do lixo “sem dono” comum em diversos pontos e áreas mais afastadas do centro, a reportagem visitou também dois pontos da Linha Divisória entre Rivera e Livramento, na região do Porto Seco, o Cerro do Chapéu, e no bairro Prado.
A fronteira seca desperta a curiosidade e atrai visitantes de várias regiões, e foi justamente nesse limite físico entre Brasil e Uruguai que três pontos de grande concentração de lixo foram encontrados. Na estrada que faz a divisa entre os dois países foram encontrados, sofás, televisores, máquinas de lavar, caixas de cerveja, colchão, calçados, pneus, carcaças de carros, vasos sanitários, lixo orgânico, latas e até mesmo restos mortais de animais. A sujeira e o odor acabam por poluir uma área que poderia se tornar uma grande atração para caminhadas, passeios ciclísticos e aventuras, além de poluir o meio ambiente.
O ciclista Fabian Ribeiro é um dos santanenses que usa a região para a prática do esporte e relatou o caso para a reportagem. Conforme declaração do ciclista, “a situação é crítica e assusta pelo descarte inusitado de alguns objetos”. Além do próprio lixo, a reportagem verificou também que o lugar é usado como área de descarte de ‘entulho de construção’.
O fato de o lixo ser descartado exatamente entre a linha divisória acaba causando, além da poluição, um problema diplomático. Na região do Porto Seco foram encontrados quatro pontos de grande concentração de lixo numa faixa de aproximadamente sete quilômetros. No mapa ao lado, o leitor pode conferir o trajeto percorrido pela reportagem.

Campanha do Bota-fora

Em 2016, Livramento ganhou algumas edições do projeto Bota-Fora onde a comunidade pode descartar o lixo que geralmente não é recolhido pela empresa tradicional de coleta. Eletrodomésticos e eletrônicos eram os itens principais na coleta da campanha. Atualmente, o Município encerrou o projeto, mas encaminha alguns projetos relacionados à coleta de lixo. 

Coleta Seletiva e parceria com a Unipampa 

A implantação da coleta seletiva e da educação ambiental no município foi tema de uma reunião no dia 30 de agosto com a Vice-Prefeita e Secretária Geral de Governo, Mari Machado. Naquela data foi entregue o projeto da coleta seletiva solidária, construída em conjunto entre instituições de ensino e a Associação de Catadores Novos Horizontes.
A via foi entregue pelo catador José Geraldo Feitas Cunha Acosta e por um dos autores do projeto, o professor da Unipampa, Altacir Bunde, diante de integrantes da Associação. Com detalhes orçamentários e equipamentos necessários para o fomento da coleta, o projeto partiu das necessidades dos catadores, a partir de um trabalho conjunto.
O projeto apresentado pelos catadores e UNIPAMPA será agregado ao projeto que está sendo construído no âmbito do governo para depois ser apresentado ao conjunto do Conselho de Meio Ambiente. A intenção do município é montar um Programa de Educação Ambiental, promovendo a inclusão social dos catadores, a educação e conscientização da comunidade sobre o lixo, segundo reunião de agosto entre governo municipal e comunidade.
Em projeto de um grupo de alunos da Unipampa publicado ainda em 2010 o tema de coleta seletiva já era debatido. Na época, os alunos verificaram que Livramento produzia, em média, 40 toneladas de lixo por dia. No trabalho, os alunos Christianne Albuquerque, Daiane Bavaresco, Fabiane Tomasini, Juliana Dalmolin e Pablo E. da Silva escreveram que: “Através da coleta seletiva para posterior reciclagem, os resíduos ganham valor de mercado, facilitando assim sua venda e reaproveitamento. A reciclagem do lixo é fundamental para a preservação do meio ambiente, pois além de minimizar a extração de recursos naturais, reduz o consumo de energia, diminuindo também o acúmulo de resíduos produzidos”.

 

Por: Elis Regina - Elis Regina@jornalaplateia.com - 15/11/2017 às 0:00

 

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