POLÍTICA

Vereador faz moção de apoio à ciclo faixa e declara ser oposição ao Governo Ico e Mari

Carlos Nilo disse que já estava pensando em declarar sua posição em dezembro, mas devido à falta de diálogo e anunciou ser contrário à Administração

A Câmara de Vereadores aprovou por unanimidade, na manhã dessa segunda-feira (13), a moção de apoio à permanência da Ciclo Faixa nas avenidas João Pessoa e Almirante Tamandaré. O assunto veio à tona na semana passada, quando o Executivo Municipal iniciou a retirada da sinalização e extinção do espaço.
Em meio à discussão do texto, de autoria do vereador Carlos Nilo (PP), o parlamentar disse ser oposição ao Governo. Na moção, é destacada que a Ciclo Faixa é a única da cidade – que tem aproximadamente 83 mil habitantes – estando situada na linha divisória com o Uruguai – tendo, em Rivera, aproximados 70 mil habitantes. “É importante salientar que a falta de um sistema de transporte público de qualidade, não reduz o uso de veículos e, evidentemente, não justificando a eliminação da Ciclo Faixa”, diz o documento.
Além disso, a moção destacou que é preciso ser planejado e executado a partir das infraestruturas existentes, criarem um sistema de mobilidade integrando as diferentes formas de deslocamento da população: pedestres, ciclistas, motociclistas, veículos de transporte coletivo, veículos de carga e veículos de transporte individual.
O momento de discussão e votação da moção foi o que mais chamou a atenção. Demonstrando falta de respeito com a Mesa Diretora da Câmara de Vereadores, parlamentares de situação e oposição interferiram em suas falas, até que a presidente da Câmara precisou intervir. A vereadora Maria Helena Darte (PDT) pediu calma aos seus colegas.
O vereador Marco Monteiro (REDE) defendeu que se tenha um horário. Assim seguiu o vereador Lídio Mendes Melado (PTB). “É lógico que a cidade tem que ter uma ciclo faixa. Uma vez eu fiquei lá todo o dia, e apenas uma bicicleta passou. Outra opção é ter um horário, a partir das 19h, por exemplo”, defendeu.
A bancada petista, acompanhou a moção. O primeiro a se pronunciar foi o vereador Itacir Soares. “Quando se é gestor do Município, tem que ter respeito ao recurso federal. Era necessário uma audiência pública para ouvir a população”, disse. Leandro Ferreira continuou: “Esse assunto necessitava de uma maior discussão com a Câmara de Vereadores, por isso sou a favor da ciclo faixa”, complementou. Aquiles Pires falou da legalidade. “Quanto trata-se de desfazer uma obra, estão incorrendo em improbidade administrativa”, destacou.
Maurício Galo del Fabro (PSDB) lembrou que o Governo enaltece ser do diálogo. “Se dizem que é Governo do diálogo, devem escutar a população e voltar atrás das decisões que foram tomadas”, comentou. Germano Camacho também disse ser favorável à moção.
O vereador proponente da matéria, Carlos Nilo, foi o parlamentar que mais gerou polêmica. “Considero um total retrocesso a retirada da ciclo faixa, seja qual for. Nós não podemos deixar que a retirada de uma ciclo faixa de uma forma imperialista prevaleça. Acho um absurdo a maneira que foi feita pelo Executivo Municipal. Eu ia esperar para dezembro, mas já vou adiantar, eu passo a ser oposição ao governo municipal, a partir de hoje”, afirmou.
O parlamentar continuou relatando uma ligação que ele teria recebido, durante o fim de semana. “Recebi uma ligação de um assessor do prefeito dizendo que eu baixasse um pouco a bola se não, na semana que vem, eu não ia assumir a Prefeitura durante a viagem de Ico. Eu não aceito qualquer tipo de ameaça, pois eu não sou nenhum guri, moleque, não estou aqui no primeiro mandato. Estou me manifestando em oposição, mas com diálogo e muito diálogo”, declarou.
A Assessoria de Imprensa do Palácio Moysés Vianna foi procurada para comentar o assunto e as afirmações do vereador, no entanto, o Executivo disse não ter nenhuma manifestação.

Por: Rodrigo Evaldt - rodrigo@jornalaplateia.com - 14/11/2017 às 0:00

 

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