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Bem-estar e saúde mental podem ser aprimorados através de quatro fronteiras pouco exploradas

Dr. Hamer Palhares: Médico psiquiatra, com pós-graduação em dependências químicas, doutor em Ciências, professor do curso de pós-graduação em dependência química, modalidade virtual da UNIAD/UNIFESP.

Com base em estudos científicos podemos constatar que o bem-estar e a saúde mental podem ser aprimorados através de quatro fronteiras pouco exploradas:

  • Felicidade
  • Atividade Física
  • Nutrição
  • Meditação

FELICIDADE

Ser feliz é mais que estar livre de um transtorno mental e da dependência química. E ser feliz pode ser uma estratégia para não recair em um transtorno mental ou dependência química, como uma espécie de "poupança de bem-estar". Tal economia é bem-vinda e, segundo a ciência psicológica mais recente, é possível.

É necessário constituir uma prática para a felicidade, funcionando como uma estratégia preventiva para eventuais crises do futuro.

Descontentamento

Felicidade como um estado idealizado é praticamente impossível na nossa vivência, por isso, é importante manter uma perspectiva prática e realista. Infelizmente, a nossa sociedade está treinada para o descontentamento. O consumismo é calcado na infelicidade, pois quando você se satisfaz com uma coisa, aparece outra ‘melhor’, ou você pensa se vai poder ter aquele objeto no futuro. Tal foco no exterior nos afasta do único local onde é possível encontrar real contentamento.

Temos a “mania” de reclamar de tudo e de repetir constantemente assuntos infelizes, culpas, remorso, insuficiência, preocupação. Essa tendência a repetir, mentalmente, assuntos ruins é conhecida como ruminação. Tal tendência retro-alimenta estados ansiosos e depressivos.

É um estado contínuo de “pré-ocupação”. Deveríamos ter a noção de contentamento, de que é suficiente, sem deixar de lutar por mais, mas ter a noção de que já está bom, já temos o suficiente. Este não é um discurso de “carpe diem", não é viver para o momento presente, e sim viver NO momento presente.

Psicologia Positiva

Martin Seligman, psicólogo e professor da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, criador da “Psicologia positiva”, sugere que a felicidade é alcançável, bem como o resultado natural da construção de nosso bem-estar e a satisfação com a vida.

Em vez de se dedicar à compreensão das fraquezas humanas, por que não buscar respostas para as raízes da felicidade? Ela estuda as emoções positivas, a felicidade, os traços positivos do caráter ou forças pessoais (sabedoria, criatividade, coragem, cidadania, etc.), os relacionamentos positivos e as instituições positivas (escolas, empresas e comunidades).

O que o sujeito pode fazer para ser mais feliz? Captar aspectos positivos da realidade. Perceber as pequenas coisas boas da vida e cultivar boas práticas de vida, as quais focaremos a seguir.

 

Base da qualidade de vida:

Atividade física, nutrição e meditação funcionam como um plano preventivo de saúde

ATIVIDADE FÍSICA

Todos estamos convencidos de que atividade física é benéfica e mesmo assim não fazemos. A desculpa da falta de tempo não convence: estudos mostram que 7 minutos de atividade física por dia aumenta a qualidade de vida. Mais um argumento? A cada hora de atividade de física, você ganha duas de expectativa de vida. Resumindo: quem não tem tempo para atividade física, tem tempo para ficar doente.

Estudos rigorosos mostram que atividade física pode tratar a depressão. Mas quanto? 45 minutos em 5 dias por semana de atividade aeróbica ajuda mais que atividades anaeróbicas. Certamente, não é pouco, mas não há dúvidas de que vale a pena. Além de que a atividade física parece ser a forma mais efetiva de prevenir Alzheimer.

A questão não é somente viver mais, é viver melhor.

NUTRIÇÃO

Com a correria do dia, comemos rápido e sem pensar. Comidas industrializadas e fast food estão aí para facilitar a nossa vida, não é mesmo? Hora de repensar.

“Eat food, not too much, mostly plants. Cook.” (Michael Pollan)

Michael Pollan, um dos grandes pensadores atuais sobre alimentação, sugere que com estas pequenas dicas, é possível que todos se alimentem melhor: “Coma comida, não muito, na maioria plantas. Cozinhe!”

Coma comida - esquecemos o que é comida. Boa parte do que encontramos no mercado são alimentos altamente processados. Para se certificar de que uma escolha alimentar é comida de verdade, imagine que você está com a sua bisavó no mercado - tudo o que ela perguntar: “O que é isso?” você não deve colocar no carrinho. Comida de verdade não precisa de rótulo dizendo que é saudável. Devemos aprender diferenciar comida de um alimento altamente processado - e transmitir isto para nossos filhos.

Uma dieta baseada em plantas é, provavelmente, a mais saudável. A maior parte das suas refeições deve ser compostas por saladas, verduras e legumes. Segundo estudos, essa estratégia está relacionada com o aumento de expectativa de vida.

Por fim, cozinhe. Coma o que você quiser, mas faça você mesmo. Quando você faz, você vai conhecer os ingredientes e não vai colocar tantos melhoradores de sabor, açucares e conservantes. Isto refletirá na sua qualidade de vida e da sua família.

MEDITAÇÃO

Geralmente temos preconceito em relação à meditação. Lembramos de um sujeito com as pernas em lótus, com as mãos em posição esquisita, olhando para baixo. Alguns lembram de religiões. Meditação não é nada mais do que um treinamento mental de foco e concentração.

Imagine que a sua atenção está dispersa navegando por vários temas e você vai se dando conta dessa dispersão e trazendo a atenção para um ponto único. Esse ponto único é a sua âncora, é a ferramenta que vai conduzir para um estado mais focado.

A ferramenta mais neutra é a respiração. Prestar atenção na respiração ou em um mantra é uma forma de “estar no momento presente”. Servem para diminuir a densidade dos pensamentos e treinar o foco.

Fique um minuto prestando atenção na sua respiração e perceba o quanto a mente “viaja” por assuntos diversos. O que a meditação mostra é que nossa mente está desfocada. É um exercício que aumenta o grau de atenção plena (Mindfullness).

Práticas de mindfullness auxiliam pessoas com transtornos mentais leves a moderados como depressão e ansiedade. Com resultados comparados com terapia cognitiva comportamental. Muitas pessoas ainda vão precisar de terapia, mas já temos evidências suficiente para investir nessa prática como estratégia complementar. Para quem ainda tem dificuldade, hoje em dia existem aplicativos para quem quer aprender a meditar como: Insight Timer, 10% Happier e Headspace. Lembre-se: todas estas estratégias têm como função apenas informação e psicoeducação, não substituindo a avaliação parcimoniosa de um profissional de sua confiança.

Email: hamerpalhares@gmail.com

Por: Administrador - 13/11/2017 às 0:00

 

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