Rural

Noite da Ovinocultura debate questões relativas ao desenvolvimento e fortalecimento do setor

Evento reuniu criadores, empresários, pecuaristas, representantes de entidades e do poder público, para tratar do assunto, em encontro sediado no Movimento Nativo Coxilha de Sant’ana.

A Cabanha São Pedro, de Cláudio Wetternick, esteve realizando, no dia 6 de novembro, com a Associação Santanense de Ovinocultores um jantar que teve como sede o Movimento Nativo Coxilha de Santana para discutir assuntos relacionados ao fortalecimento e desenvolvimento do setor, além de assuntos sobre o mercado da carne e da lã ovina.
Na oportunidade, também foi comemorado os dois anos de fundação da Associação Santanense de Ovinocultores que vem realizando um importante trabalho em prol da classe ovelheira no município. Autoridades, pecuaristas, empresários, imprensa e demais convidados participaram de uma confraternização que proporcionou uma troca de conhecimento entre os presentes além de novos contatos para negócios futuros.
Em sua fala Cláudio Wetternick enfatizou a importância da união do setor em prol do desenvolvimento da ovinocultura e a presença do presidente da Cooperativa de Lã Tejupa, Dr. José Galdino Garcia Dias, e dos representantes do Frigorífico Producarne da cidade de Bagé e representantes da ARCO (Associação Brasileira de Criadores de Ovinos). “Hoje nós estamos vivendo um momento ímpar na nossa ovinocultura. Quem diria que nós iríamos falar de cordeiro ao custo de R$7,00 o quilo, enquanto o boi está na média de R$4,50. Quem diria que a gente ia falar em ovelha a R$6,00 enquanto a vaca está na média R$3,70. Então, se nós fazemos parte desde setor hoje é porque acreditamos na rentabilidade da ovelha e em tudo que ela pode nos oferecer”, conclui.

 Centro de Terminação de Ovinos

O pecuarista Cláudio Wetternick falou ainda sobre a sua experiência com a criação de ovinos através do Centro de Terminação que foi construído na Cabanha São Pedro e hoje já apresenta os seus primeiros resultados. “Há pouco mais de um ano nós estamos trabalhando com o centro de terminação de ovinos em nossa propriedade. “Nesse curto espaço de tempo nós já tivemos a oportunidade de vender os nossos produtos para São Paulo, de negociar com Curitiba e, aqui no estado, com a Producarne, de Bagé. Nós iniciamos o confinamento ovino e podemos dizer com certeza aos senhores que a rentabilidade de um confinamento de ovinos é algo realmente extraordinário e como agrega valores em um curto espaço de tempo deixando os animais prontos para o abate. O primeiro lote que nós colocamos em confinamento levou cerca de 65 dias para ser comercializado no seu ponto ideal de abate que é em torno de 45kg. E hoje, conseguimos diminuir esse tempo. Com 45 dias esses animais já estão prontos para serem comercializados” disse.

Bom momento para a ovinocultura 

Já o presidente da Tejupa, Dr José Galdino Garcia Dias foi convidado a falar sobre o trabalho desenvolvido pela cooperativa e também sobre o preço pago na lã. “Essa cooperativa foi fundada em 1952, e neste ano ela está completando 65 anos de trabalho voltado para o ovinocultor. Num passado não muito distante nós tivemos 23 cooperativas em atividade e hoje são apenas três que seguem trabalhando e a Tejupa é uma delas. Já tivemos associados em 84 municípios do estado e cerca de 6.200 sócios e isso mostra a potencialidade de uma cooperativa .
Então, nós estamos iniciando um trabalho nesta gestão para valorizar a lã produzida pelos nossos ovinocultores, mas é preciso que esse produtor conheça o seu produto, saiba o que ele está produzindo porque, muitas vezes, pela falta de conhecimento a lã acaba perdendo valor sendo comercializada da maneira mais barata” destacou.
Galdino disse ainda que o mercado da lã está com preferência por lãs finas com destaque para a raça Merino Australiano que chega a custar até R$21,00 o kilo, já a raça Ideal está na média de R$16,00 o kg. “Pelo que a gente tem visto este é um mercado bastante promissor”. Segundo ele, o grande comprador, hoje, deste tipo de lã é a China, e quando os chineses saem do mercado acontece uma oscilação. O presidente da Tejupa disse ainda que, apesar de algumas variáveis, o mercado da lã está em pleno processo de expansão.

Associação Santanense de Ovinocultores

Criada no ano de 2015, a Associação Santanense de Ovinocultores surgiu para ser um elo entre os produtores de Santana do Livramento que atualmente possui o maior rebanho ovino do país com cerca de 390 mil cabeças. A pesar de sermos o maior produtor de ovelha do Brasil, o setor tem passado, nos últimos anos, por um grande desestímulo da parte dos criadores e são vários os motivos alegados, desde a falta de mão de obra, ao preço baixo da lã e o custo elevado da produção.
Foi justamente por este motivo que a Associação foi criada, conforme explica o presidente da entidade, zootecnista e técnico da ARCO Jair Menezes. “Nós resolvemos unir os representantes das 10 raças de ovinos que são criadas em Livramento que são elas. Merino Australiano, coordenadora Sônia Silveira; a raça Ideal, coordenador Ronaldo D’avila; já na raça Corriedale, Cláudio Wetternick; no Poll Dorset, Cláudio Caldas Filho; coordenador do núcleo de Merino, Cláudio Caldas pai; da raça Texel, Silvia Helena Loro; na raça Romney, a coordenadora é Jaqueline Bragança; Ile de France, Rodrigo Bortulucci; ovinos produtores de leite, Luiz Carlos Soares e do Naturalmente Coloridos é Elton Enick.
A partir daí nós resolvemos montar essa associação para organizar e fortalecer o setor em nosso município e aos poucos estamos conseguindo fazer um bom trabalho” disse o presidente.
Segundo Jair Menezes, apesar da falta de apoio de alguns setores nos início da Associação, ao longo do tempo parcerias
importante foram firmadas como as universidades UNIPAMPA e UERGS, EMATER e
Prefeitura Municipal. “Nós temos recebido um grande apoio do nosso prefeito Ico e da vice Mari que já nos receberam inúmeras vezes em seu gabinete e também participaram do Remate Top Ovinos com a gente no início do ano. Isso mostra o seu comprometimento com a ovinocultura” disse.
Menezes comenta ainda que o hoje o grande desafio dos ovinocultores é se adaptar às novas formas de produção deixando para trás o sistema antigo de manejo e produzir mais, com menos perdas, principalmente cordeiros. “A ovinocultura, sem dúvida nenhuma, é altamente rentável, desde que ela seja produzida com controle e diminuição de perdas. Aí ela se torna
imbatível” encerrou.

Por: Administrador - 11/11/2017 às 0:00

 

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