Rural

Brasil sai da pior para a maior produção de vinhos da história

Enquanto o mundo terá a menor produção de vinhos em quase 60 anos, o Brasil vai crescer a produção em 169% em 2017, segundo Organização Internacional do Vinho (OIV)

Segundo dados divulgados pelo Portal do Agronegócio, após amargar produção baixa em 2016, em 1,3 milhões de decalitros (mhl), a produção nacional deve chegar a 3,4 milhões (mhl), segundo o órgão internacional. Um hectolitro é o mesmo que 100 litros, ou 133 garrafas de 750 ml de vinho. “Saímos da menor safra da história para a maior. No ano passado, tivemos quebra de 57% no Rio Grande do Sul, em função de geadas fora de época e granizos no período de maturação, quando foram processados 300 milhões de quilos de uvas. Em 2017, tivemos média acima do normal. Processamos 750 milhões de quilos, superando 2011, quando foram 710 milhões”, explica o diretor técnico do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), de Bento Gonçalves (RS), Leocir Bottega.
No mundo, a estimativa de produção de vinho total da OIV está entre 243 e 250 decalitros - 8% menor do que o ano passado. “Na União Europeia, os eventos climáticos, de geadas a secas, impactaram significativamente a produção de vinho em 2017, que já era historicamente baixa”, informou a OIV em relatório divulgado nesta terça.

E o preço do vinho?

Os três principais produtores do mundo devem fechar o ano com quedas: a Itália em 39,3 mhl, a França em 36,7 mhl e Espanha em 33,5 mhl. Por outro lado, Portugal tem crescimento marginal da produção, chegando a 6,6 mhl. Outro grande produtor, os Estados Unidos (com 23,3 mhl) devem ter praticamente a mesma produção do ano anterior.
Apesar da redução global, não é possível estimar um aumento de preços, diz Leocir Bottega. “Os vinhos e derivados não dependem do mercado e sim da produção agrícola. Mas é difícil fazer uma previsão porque o mercado sempre teve oferta suficiente. Geralmente, o Brasil e outros países sempre têm excedente de produção, e essas variações não chegam a afetar [os preços]”, comenta o diretor técnico.De acordo com a OIV, o consumo estimado para este ano é de entre 240 e 245,8 mhl, ou seja, um dado similar à produção global.

Produção: vinhos argentinos e chilenos

Enquanto a África do Sul está estável (10,8 mhl), a América do Sul cresceu seus lotes graças a um país: a Argentina. Nossos ‘hermanos’ aumentaram em 25% a produção de vinho comparado a 2016, chegando a 11,8 mhl. Esse foi o melhor resultado do país vizinho dos últimos anos. Principal concorrente do vinho argentino, o Chile está na direção oposta: perdeu 6% da produção comparado ao ano passado, com registro de 9,5 mhl em 2017.

Região da Campanha e Fronteira Oeste

A reportagem do Jornal A Plateia entrou em contato com o diretor da unidade Almadén Miolo Wine Group em Livramento, Fabrício Domingues, para comentar sobre a produção local. Segundo ele, 2016 foi um ano bastante difícil para a produção vitivinícola, mas neste ano o cenário melhorou. “O ano que passou foi uma safra bem difícil e mesmo assim a gente conseguiu colocar o nosso chardonnay entre as 16 amostras mais representativas na avaliação nacional do Vinho e isso para nós já é uma grande conquista. A nossa produção deste ano, tanto aqui, quanto em Candiota e Serra, está tudo dentro da normalidade prevista por nós, que é produzir cerca de 3 milhões e meio a 4 milhões de quilos de uva. Para nós, a safra está dentro da normalidade” destacou o diretor.
Fabrício disse também que embora esse ano tenha sido um ano marcado pelo fenômeno La Niña, os seus efeitos ainda não foram sentidos e mesmo com um grande volume de chuva acumulado em alguns meses que ultrapassa os 600mm, mesmo assim haverá uma boa safra. “Mesmo com esse monte de chuva a gente está com o vinhedo bem sadio, não perdemos produção e escapamos da chuva de pedra e tudo está andando muito bem” disse. Hoje a unidade da Almadén Miolo Wine Group em Livramento possui uma área de 450 hectares de parreirais, que tem a capacidade de produção de aproximadamente 3 milhões de litros de vinho.

Por: Matias Moura - matiasmoura@jornalaplateia.com - 04/11/2017 às 0:00

 

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