Jornal A Plateia - Livramento/RS. Notícia - Falando sobre Terremotos:

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Falando sobre Terremotos:

No dia 15 de setembro estávamos de partida para o México; sonho recorrente na minha vida, amor pelas raízes americanas, pela cultura pré-colombiana, mas, principalmente pela pintora mexicana Frida KAHLO, ícone da pintura e do ser feminino, mistura de fragilidade e de força, de sofrimento e amor.
Bom, tudo nos conformes aí íamos nós, o meu esposo e eu, na procura de conhecer mais o mundo…de confirmar a teoria que sempre tivemos que os humanos têm a mesma linguagem: o amor.
Primero paramos em El Salvador, país humilde e com uma presença muito forte das “maras”: termo utilizado para definir os segmentos distintos dos grupos de pessoas associadas às drogas..
Aí a experiência foi intensa, cores, costumes, pães, e o vulcão! Impactante no tamanho e nas inúmeras possibilidades gastronômicas que oferecem ao seu redor.
Depois dessa pequena experiência nesse país a leitura é uma só para nós, é impressionante como nós, os americanos, temos a mesma língua de coração, como sentimos maravilhosamente no sangue sermos “hermanos”, um povo alegre e sorridente, hospitaleiro e muito amigo, fisicamente distintos, mas não tanto…
Partindo rumo ao México Distrito Federal!!! Ao chegar devo confessar que estava chorando de emoção, de amor, e também de que não conseguisse acreditar que estava realizando um sonho muito maior, daí em diante foi maravilhoso: ver as ruas, as pessoas, em especial Coyoacán, bairro da Frida, a casa azul, a beleza do povo e principalmente o sorriso dos mexicanos….incrivelmente mágico tudo.
Entre domingo e segunda foi tudo especial, tudo novo, e mágico.
Terça 19, tomamos café da manhã com uma amiga que havia chegado de Monterrey para estar conosco e decidimos ir às pirâmides de Teotihuacán, uns 50 minutos do D.F.
Lugar definido por uma energia e religiosidade impactantes, uma mistura de engenharia brilhante com sabedoria milenar….mas foi aí, exatamente aí, que aconteceu uma das experiências mais fortes na nossa vida…a terra falou!! Sim, a terra se mexeu!!! Foramsegundos,  porém, lembro a sensação como se fosse agora…senti eletricidade nas pernas e não conseguia parar de me mexer, não podia me afirmar e, imediatamente, dei a mão  ao meu esposo….
Bom, pessoal, eu sempre digo, como psicóloga, que a primeira reação de um impacto forte é se anestesiar…é a profunda verdade: por algum tempo só lembrava do fato mas não atinava a nada mais…somente avisar ao nossos afetos que estávamos bem, as linhas e a internet não estavam  acessíveis porém conseguimos dizer que estávamos bem.
Então, lentamente começamos a nos inteirar como estavam no DF. A cidade era um  caos, os edifícios caíam e o desespero começou a aumentar…eu seguia anestesiada, sem compreender totalmente a dimensão dos fatos…a nossa amiga querida, com muita experiência de como agir decidiu nos levar à Pachuca, outra cidade linda e com a acolhida característica dos mexicanos, uma amiga da nossa amiga nos acolheu como se fôssemos  conhecidos há anos…
Estávamos sem as nossas coisas, sem roupa, sem medicação, sem documentos importantes…
E nesse exato momento caiu a minha ficha do que estávamos vivendo…do  quão pequenos que éramos diante da força  da natureza, da voz da terra querendo dizer algo à raça humana, e quantas pessoas estavam  sofrendo…me senti devastada e confundida, sem saber o que fazer…
Mas aquela frase que nada melhor que um dia depois do outro é verdadeira, quarta pela manhã acordamos decididos  a voltar ao DF para fazer da nossa viagem ao México a ajuda necessária que tantas vezes tínhamos falado em fazer e que não tínhamos tido oportunidade, além das que fazemos nos nossos países.
Então, começou uma nova fase na nossa viagem no grupo de acopio(chamam-se acopio os lugares de junção de pessoas e alimentos para ajudar os desabrigados) na Cruz Vermelha, formamos equipes, o meu esposo aproveitou o carro que tínhamos alugado para usá-lo na distribuição de alimentos, medicamentos e água nos albergues(chamam-se albergues os lugares para acolher os desabrigados) e eu, com grupos de psicólogos registrados e organizados em grupos de ajuda.
Ficamos com um lugar chamado Álvaro Obregón, que é uma colônia em termos mexicanos, para nós é um bairro, e foi nesse lugar onde pudemos deixar um grão de areia de colaboração….
Vivenciamos a tristeza e a união do povo, se bem é verdade que as diferenças sociais são muito marcadas, pois México é muito polarizado socialmente falando, mas eram indiferentes de onde vinha a ajuda, de todas partes, e de diferentes lugares, eles se uniam, trazendo comida, apoio, água, roupa…e sabem que era incrível aquela mistura de lá, no início da minha Frida de sofrimento e amor era visível nos rostos de cada um deles…força e fragilidade, tristeza e esperança, sem dúvida foi a melhor experiência de entendimento humano….e nós estávamos ali: vivenciando-a, ajudando e sentindo dentro do nosso peito a verdadeira missão da nossa viagem: estar e ajudar…porque a verdadeira linguagem dos povos americanos é o amor, a terra, a religião e a natureza.
Foram  transcorrendo os dias e, nós entre a ajuda e a absorção do que era o México nas raízes fomos vivendo…vivendo e aprendendo, hoje faz 7 dias do nosso retorno e eu ainda me pego pensando e sentindo com o coração todas as lições dessa experiência, uma delas é sem dúvida importante é que o recurso mais valioso que temos é o nosso tempo, já dizia o Steve Jobs.
É por isso que voltar aos nossos familiares e amigos,  retornar às nossas atividades nunca, mas nunca mais será igual.
Fiquei em contato com as mães e as crianças que atendi lá, para continuar sabendo delas e principalmente para me alegrar com os novos passos dessa caminhada que forçadamente a vida trouxe para elas, porém, que saibam,que em neste outro ponto da América estamos sempre para ajudar na parte do mundo que seja necessário…pois uma coisa tenho certeza: os humanos falam a mesma linguagem, a do amor…

 

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Por: - 10/10/2017 às 10:12

 

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