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Elis Regina Cartaxo

O meu direito acaba quando começa o seu

No último dia 19 de junho um fato chamou a atenção nos canais de TV pelo mundo. O Pastor Javier Soto, conhecido por ser um clérigo polêmico, foi o convidado do programa El interruptor, do canal chileno Via X. Durante a entrevista, conduzida por José Miguel Villouta, o pastor abriu uma bandeira gay e pisou em cima dela. O apresentador disse que a atitude era um desrespeito e pediu para que o pastor tirasse a bandeira do chão.
“Eu sou homossexual, esse é meu programa, e para mim isso parece uma falta de respeito”, disse o apresentador e insistiu, educadamente, para que o pastor retirasse a bandeira do chão. Soto respondeu que era apenas um pano, não dizia respeito ao apresentador e que não era uma ofensa. Villouta, no entanto, não abriu mão e disse que toda a equipe de TV estava ofendida. A Diretora do canal, então, entrou no programa, ao vivo, para pedir, mais uma vez, que o pastor tirasse a bandeira do chão.
“Te convidamos ao programa com todo o carinho, para mim parece ofensivo o que está fazendo. Assim, queremos pedir que, se vai continuar conosco, que respeite nossa casa”, pediu. O pastor se recusou a tirar e disse que não faria o programa, levantou e saiu do estúdio.
O caso chama a atenção para as inúmeras manifestações de intolerância e preconceito. Alguns podem achar um exagero do Canal de TV e dizer: “poderiam fazer a entrevista, era um pano no chão”, mas para muitos o pano colorido representa uma marca de dor, história, tristezas e alegrias de uma vida inteira e assim como inúmeros símbolos (cruz, bandeiras nacionais, espadas e selos) representam uma parcela da sociedade. Acredito que se fosse uma outra bandeira ou mesmo escritos bíblicos a indignação seria a mesma.

Por: elisregina@jornalaplateia.com - 28/06/2017 às 10:17

 

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