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Rural

Carne ovina gaúcha conquista cada vez mais mercado Brasil afora

Corretor de ovinos, Marcio Saratt trabalha como comprador no Estado para três grandes frigoríficos paulistas e diz comprar cerca de 300 mil reais por mês em ovinos. Em um ano são aproximadamente 3 milhões e 600 mil reais exportados para São Paulo

Vivendo em Sant’Ana do Livramento há cerca de 2 anos, e trabalhando exclusivamente como corretor de ovinos Marcio Saratt é um entusiasta da ovinocultura e diz que hoje o setor está cada vez mais ganhando espaço e conquistando importantes mercados Brasil afora. Gaúcho de Santo Antônio das Missões, Marcio saiu do Rio Grande do Sul em busca de novos horizontes e acabou indo morar no estado de Mato Grosso do Sul onde trabalhou por 7 anos como gerente de fazenda com pecuária e ovinocultura, e após para São Paulo , como relembra. “Pela dificuldade de criar ovinos tanto no Mato Grosso do Sul quanto em São Paulo, que hoje é o maior mercado consumidor, acabei indo morar lá  e comecei a trabalhar como cabanheiro de ovelhas, fazendo venda de reprodutores e a partir de 2008 sim fiquei exclusivamente trabalhando como corretor de ovinos fazendo compras para os frigoríficos e para confinamento. Montei vários confinamentos de ovinos em São Paulo, e a partir daí foi que comecei a comprar para os três maiores frigoríficos paulistas” disse.

Segundo o corretor a oportunidade de vir para o Rio Grande do Sul trabalhar como comprador apareceu quando o Frigorifico Marfrig fechou no ano de 2012, e deixou de abater cerca de 1200 cordeiros ao dia. Com o fechamento vários produtores deixaram de produzir cordeiros. “Com isso começou a faltar mercadoria e ai eu desci para o Rio Grande do Sul para comprar, ai a partir de 2015 vim direto para cá e estou aqui até hoje. Eu compro cordeiro, borrego e ovelha gorda, pois existe uma demanda grande de animais para o confinamento. A gente procura sempre trabalhar com animais de qualidade, revisando esses animais nas fazendas, rodando quase 5 mil quilômetros/ mês dentro de Livramento procurando ovinos de qualidade para atender os clientes de São Paulo “destacou.

Cenário da ovinocultura no RS

Para Marcio Saratt a ovinocultura no estado é considerada um subproduto pelos pecuaristas, que se preocupam muito mais com o boi no pasto e com a vaca de cria e deixam de lado os ovinos. “Eles deixam de lado, mas o maior lucro na pecuária,hoje, se você for ver está na ovinocultura, o boi hoje está à R$4,90 e um cordeiro gordo à R$6,30. O Cordeiro Corriedale a R$5,50. Isso quer dizer que em uma unidade animal que é 400 kg de carne de ovinos ou bovinos, a ovelha dá em média com a mesma quantidade de carne à R$600,00 reais a mais que um boi, se referindo a uma unidade animal . Então o pessoal não está tratando a ovelha com o valor que ela tem, sempre se preocupando com o boi e deixando a ovelha em segundo plano” disse.

Segundo o corretor este é um momento muito propício para o investimento na ovinocultura, principalmente com a valorização da carne que está indo para fora do estado, cada vez mais. “Pelo cenário que se apresenta, e pela produção que diminui cada vez mais, dentro de dois anos a ovelha vai valer ouro e os produtores não estão se dando conta disso. Eles estão querendo acabar com o rebanho por mão de obra. Daqui há dois anos a ovelha vai ser o grande produto do Rio Grande. Hoje existe um grande mercado no Paraná, Mato Grosso do Sul, Goiás e Bahia , falo até porque mando animal aqui do Rio Grande do Sul para todos esses estados pois a procura é muito grande” destaca.

Raças de carne

Conforme um balanço realizado pelo corretor as raças de carne possuem poucos rebanhos aqui no estado por questões culturais, como a produção de lã que por muito tempo foi muito valorizada. Segundo ele, as duas raças de carne mais procuradas pelos compradores são Texel e Ile de France. “O Ile de France possui um grande rebanho na serra: em Vacaria, Lagoa Vermelha, Passo Fundo até perto de Júlio de Castilhos e depois descendo para a fronteira o maior rebanho de carne hoje é Texel . Já a raça mais vendida que tem, falando pelos meus dados é o Corriedale onde mando, mais ou menos, mil cordeiros cruza carne pra São Paulo por mês e ela é uma carne que está sendo muito valorizada pelos paulistas.

Exportação para São Paulo em alta

Marcio Saratt é responsável por exportar do Rio Grande do Sul para o estado de São Paulo cerca de 300 mil reais por mês em ovinos, somando anualmente o valor aproximado de 3 milhões e 600 mil reais entre ovelhas para o confinamento e para o abate.” Tudo isso legalizado, com GTA e todos os trâmites que são necessários, não sai nenhum animal ilegal de um estado para o outro”, encerrou.

Por: Matias Moura - redacao@jornalaplateia.com - 12/05/2017 às 9:49

 

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