Jornal A Plateia - Livramento/RS. Notícia - Vidas ligadas pelos fios das eras

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Vidas ligadas pelos fios das eras

Protagonistas da história, herdeiros de um gigante que fez sua própria trajetória, no passado de Sant’ Ana, eles são personagens reais que têm suas vidas ligadas entre as eras que marcaram o ápice, o apogeu e a decadência do Lanifício do Rio Grande do Sul Thomaz Albornoz e, atualmente, são cooperados da Coofitec.
O próprio presidente, Edson Renato Jorge Silva, conta que iniciou suas atividades há 18 anos, no maquinário, passando por vários processos na complexidade industrial até chegar à gestão da cooperativa. Está no segundo mandato e luta, com sua diretoria, para que a compra não implique no fechamento da Coofitec. “O que posso dizer, agora, é que estamos dependendo de uma resposta do Executivo Municipal. Já realizamos uma reunião com o prefeito e sua equipe e percebemos que há muito interesse, tanto dele quanto dos secretários, de que continuemos com a operação da Coofitec em outro local” - refere Renato.
Segundo o presidente, cuja gestão vai até 2018, há muitas incógnitas ainda. “Quando fomos comunicados pelo Thomaz (o proprietário) percebemos que ele também se importa muito conosco e entende, tanto quanto nós, que estamos criando possibilidades, dentro do tempo que foi estabelecido pelos compradores” - destaca. Ele também entende que se trata de uma necessidade, já que a Coofitec, há alguns anos, enquanto ente organizado, trabalhava em busca de um local adequado para ter sua própria sede, mantendo as operações. Entretanto, as condições oscilantes de mercado nos últimos anos e as limitações próprias  da realidade econômica, não permitiram que essa necessidade se tornasse realidade. “Vamos encontrar, sim, uma alternativa, pois não é desejo de ninguém, seja no setor público, seja na área privada que a Cooperativa encerre suas atividades. Isso temos bem claro a cada contato que fazemos, seja com nossos clientes, com os nossos parceiros de Livramento, da região e de vários outros municípios, com os artesãos, pois em se tratando de serviço da forma como apresentamos, não há símile” - pontua.

Trabalho

Adilson Ayres Silveira Nunes está trabalhando há 3 anos na Coofitec. No dia da visita, sua função era fazer com que a lã, já classificada, fosse encaminhada para a lavagem. Posicionado em uma sala que fica na parte superior à lavanderia, faz com que a lã chegue até a máquina, no andar de baixo, por um tubo. Satisfeito por estar trabalhando, Ayres também está preocupado com o futuro e afirma acreditar em boas perspectivas.

Lavagem

Gilberto Trindade Dias, com um sorriso no rosto, mostra a lã recém saída da secadora. “Está quente” - adverte. É uma das lendas vivas do Lanifício Thomaz Albornoz, onde trabalhou por mais de três décadas e está há 15 como cooperado associado à Coofitec. Recorda, com nostalgia e até um pouco de tristeza, das épocas pujantes da Sant’ Ana do Livramento que via frigoríficos operando, cooperativas funcionando e oferta de empregos nas mais variadas áreas. Viu, também, o ocaso dessa cidade e as transformações que se seguiram. “Bah, dá tristeza na gente, pois tínhamos tudo naquelas épocas e hoje é uma luta diária” - resume. Morador da Vila Municipal desde 1982, Gilberto acredita que a evolução da cidade permite a continuidade do trabalho com os produtos do campo e, nesse caso, a lã é um dos que mais perspectivas aponta.

Na praia

Rubens Santos Rodrigues e Alcir Silveira da Silva trabalham na praia. Exatamente, mas nada de óculos de sol e cadeira à beira-mar. Praia é o local onde é concentrada a lã já lavada, que vai para os processos finais. Ela chega até uma extensa área na edificação por elevação, empurrada por um ventilador. A missão de Rodrigues e Silva é juntar para que o espaço seja suficiente para toda a produção.
Rubens Rodrigues conta que trabalhou 23 anos no Lanifício Thomaz Albornoz. “E se a Coofitec tem 20 anos, são mais duas décadas de cooperativa” - refere o cooperado, salientando que a exemplo de muitos, manteve sua família sempre nessa atividade. “São muitos os que fizeram toda sua vida aqui,no Lanifício e, agora na Coofitec e daqui dependem muitas pessoas de forma indireta também” - afirma. 

Alcir Silveira da Silva, aos 60 anos, não é de frouxar no trabalho, como ocorre com todos os seus colegas cooperados. Só parou o trabalho na praia, por alguns instantes para a entrevista, a pedido da reportagem. É outra das lendas vivas do Lanifício Thomaz Albornoz. Contabiliza 17 anos e 10 meses de trabalho na antiga indústria e outros 17 anos na Coofitec. “A gente tem uma história de muito trabalho e dedicação, de famílias que se sustentaram aqui” - relata.

As fases básicas da operação

1ª Fase - Triagem e Desborde

Preparação dos velos, classificação em subclasse e tipo, retirada das partes inferiores dos velos (barriga, ponta queimada e garreio)
2ª Fase - Lavagem da lã
Temperatura da água de 50 a 70° C, produtos auxiliares (detergentes não-iônicos, sabões de sódio), passagens por máquinas de 4 a 6 tanques e por secadoras industriais.
3ª Fase - Cardagem
Retirada de pontas queimadas, lãs manchadas e placas de capacho (operação de descarte), recebimeto de lubrificantes ou antiestáticos; abertura de mechas de lã, individualizando as fibras; disposição de maneira uniforme, dentro da cinta, para a paralelização; eliminação dos kemps.
4ª Fase - Preparo
Lã é preparada passando por máquinas de pesagem para uniformizar a cinta produzida
5ª Fase - Penteagem
São eliminados resíduos vegetais, fibras curtas (formação do blousse) e fibras muito curtas, bem como pó (forma-se o sotoblousse);
6ª Fase - Acabamento
Passagens para uniformizar, paralelizar e estirar a cinta de lã sem impurezas; segunda passagem na intersecting autoreguladora para preparar massa uniforme por unidade de comprimento conforme tabela; acondicionamento dos tops em bobinas ou latões especiais (bumps)
7ª Fase - Prensagem e Expedição
Os tops são colocados em sacos plásticos, em média de 10 quilos - podendo variar de 8 a 11; fardos de 42 unidades.

Por: Henrique Machado Bacchio - henriquebachio@jornalaplateia.com / Imagens e fotos: Elis Regina Cartaxo - 18/03/2017 às 9:58

 

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