PUBLICIDADE

Especial

Ferradura dos Vinhedos: um infinito de possibilidades ainda não exploradas

Local apresenta belezas naturais, riquezas históricas, culturais, religiosas e sociais que podem ser potencializadas turisticamente

A Ferradura dos Vinhedos, idealizada pelo professor Dr. Avelar Fortunato, consiste de um roteiro que contempla a região onde estão instaladas vinícolas, marcos históricos da região e produtores rurais. O nome dá-se a partir de como as atrações estão dispostas geograficamente, em formato de U como em uma ferradura. 
Localizado no famoso paralelo 31°, a região está situada na mesma faixa de latitude de prestigiadas áreas vitivinícolas como a da Austrália, da África do Sul, da Argentina e do Chile. É a área do Brasil com mais horas de luz e a maior amplitude térmica do país, característica excelente para o plantio da uva.
O projeto desde o início foi visto com muito potencial, no II Prêmio Inovação Turismo RS, realizado pela Secretaria de Estado do Turismo, em Porto Alegre, em 2014, que recebeu 261 projetos oriundos de 75 municípios que abarcam as 25 regiões turísticas do Estado, o roteiro Ferradura dos Vinhedos se classificou entre os quatros finalistas na categoria Práticas Inovadoras em Estruturação de Produto.
O roteiro, que começou a ser pensado por Avelar em 2010, foi lançado no dia 26 de dezembro de 2013 e teve o seu auge em 2015, quando foram realizados diversos passeios pela rota.

Prof. Avelar Fortunato, Dr.

Idealizador do roteiro e autor relatório que criou a Ferradura dos Vinhedos em Sant’Ana do Livramento. O relatório indicava o roteiro como uma das alternativas para o crescimento econômico e o desenvolvimento regional. É economista e realizou recentemente estágio pós-doutoral em desenvolvimento na UFSC. Sua experiência em turismo vem da Prefeitura de Lages, SC, da época da criação do Turismo Rural, da profissionalização da Festa do Pinhão e de um intercâmbio na Florida – USA, sob os auspícios da Fundação Rotária Internacional.

O ROTEIRO

1 Horto Vitivinícola
A Ferradura começa simbolizando o nascedouro dos vinhedos. Bem no início da Ferradura está localizado um dos maiores viveiros de mudas viníferas do continente americano.
2 Vinícola Salton
A vinícola sediada originalmente na Serra Gaúcha possui uma filial em Livramento onde estão plantadas as uvas de seus mais finos vinhos.
3 Vinícola Nova Aliança
Com as marcas Santa Colina e Aliança, a vinícola produz vinhos finos e espumantes, além de vinhos de mesa e sucos de uva.
4 Cerro da Cruz
Marco da história fronteiriça, que testemunhou guerras por demarcações, revoluções e paz.
5 Cemitério da Cruz
Em frente do Cerro da Cruz, parte mais extrema da curva da Ferradura, existe um patrimônio histórico, cultural e religioso de relevância binacional.
6 Passo da Cruz
Parada para contemplação no meio da rota até chegar aos próximos vinhedos.
7 Novos Vinhedos
A seguir, encontram-se os Novos Vinhedos, cujos antigos proprietários de terras daquela região usaram parte delas para o plantio de parreiras e a produção de uvas. Empresários locais e de fora de Sant’Ana do Livramento adquiram o lugar para o plantio de videiras, com o objetivo de investir no negócio do vinho. Assim, surgiram ali empreendedores vitivinícolas, gerando novos vinhedos.
8 Vinícola Almadén
Desde 1976 em Sant’Ana do Livramento, a Vinícola Almadén, conta com 1.200 hectares de terras, possuindo, hoje, o maior parreiral contínuo da América Latina, com 585 hectares de viníferas. A Almadén dispõe de uma estrutura projetada para receber e atender visitantes.
9 A Vitivinícola Cordilheira de Sant’Ana
Adega regional de vinhos finos, tem o privilégio de cultivar seus próprios vinhedos, localizados em Sant’Ana do Livramento, região reconhecidamente apropriada para o desenvolvimento de castas de uvas nobres. A produção dos vinhos reúne a profunda experiência de seus enólogos às mais modernas tecnologias de elaboração.
10 Cerro de Palomas
Considerado o cartão postal da cidade é, também, um símbolo da riqueza turística da região. Do Cerro de Palomas se avista o Cerro da Cruz, o Cemitério da Cruz e a Ferradura dos Vinhedos.

OS PROBLEMAS

O roteiro que teve um início promissor, hoje encontra problemas devido ao estado das estradas que levam a alguns dos pontos da visita. Segundo Rui Rodrigues, patrão do CTG Presilha dos Pago e organizador de excursões que faziam o roteiro, as visitas que, em 2015, chegaram a até 5 ônibus em um dia, hoje já não podem ser realizadas pois a estrada não possibilita o trânsito de ônibus ou vans. Rui conta que no ano de 2016 foi realizada apenas uma visita em grupo e que “foi muito difícil, o pessoal reclamou da estrada”.

Adriana dos Santos, responsável pela Pampa e Fronteira Turismo e Eventos, conta que foram realizados passeios pela empresa durante o ano de 2016, mas que em sua grande maioria foi realizado um roteiro menor, apenas nas vinícolas de fácil acesso, uma vez que os trechos sem asfaltamento não estão em boas condições. Segundo ela, o trecho a partir do Cemitério da Cruz é o mais complicado.
No momento as vinícolas encontram-se no período da vindima, colheita da uva que normalmente acontece de janeiro ao início de março, o que Rui acredita que poderia ser uma ótima atração e logo está sendo uma perda muito grande para os turistas interessados no roteiro.

Ainda é possível fazer uma visitação agendada a algumas das vinícolas, cujo acesso é pela estrada asfaltada e representam as pontas da Ferradura como a Almadén, Cordilheira de Santana, Salton e Aliança, porém, salvo algumas exceções como o passeio que já foi realizado pela Pampa e Fronteira Turismo e Eventos que realizou o trajeto entre as quatro vinícolas, é necessário um agendamento diretamente com a vinícola.

A SOLUÇÃO

A solução para o problema da estrada encontra na estadualização da mesma. Para que isso aconteça é, inicialmente, necessário que os proprietários doem para a Prefeitura a chamada Faixa de Domínio, uma faixa de 40 metros em frente às propriedades, para que essa depois seja doada para o Estado do Rio Grande do Sul. Após a estadualização, a manutenção da via fica por conta do Estado, e após isso pode ocorrer o asfaltamento. Os ganhos disso afetariam não só o acesso de turistas na região, mas também o escoamento da produção.

Para o professor Dr. Avelar Fortunato, idealizador da rota, a estrada não é o único motivo para o problema. A falta de empreendimentos e interesse do setor público também acarretaram na baixa de movimento no roteiro. Avelar acredita que nem só de potencial se vive o turismo, mas também da capacidade de trabalho e do empreendedorismo.
Para ele a cidade de Sant’Ana do Livramento sempre contou muito com o turismo proveniente dos Free Shops em Rivera – que ele se refere como um turismo de compras, uma vez que o objetivo dos turistas é apenas comprar e não realmente conhecer a fundo nenhuma das duas das cidades da Fronteira –, e logo a rede hoteleira não via necessidade de investir num turismo interno e nem o setor público precisava se mover para isto.
Isso felizmente tem mudado. Segundo ele, atualmente a rede hoteleira está mais interessada, investindo na proposta, e o setor público também já tem uma visão de turismo interno. Avelar aponta ainda outras oportunidades de turismo para a região da Ferradura, como o esporte de observação de pássaros, uma vez que a área recebe diversas espécies em época de acasalamento.

Avelar possui diversas propostas para que a Ferradura funcione com todo seu potencial, os desafios ao setor público se referem principalmente à infraestrutura, como um local que possibilite um teatro a céu aberto para que ocorram encenações das histórias, principalmente referentes à batalha farroupilha que aconteceu no local. E coisas mais básicas como a criação de um paradouro com estrutura de estacionamentos, banheiros e um local onde os produtores rurais possam expor seus produtos.
Quanto à população, falta que os próprios santanenses usufruam da via como fator de qualidade de vida para si e para suas famílias. Assim como uma exploração da região na área do ensino. Para ele, professores das diversas áreas do conhecimento, do ensino fundamental e médio e mesmo superior podem levar seus alunos no local para dar suas aulas num universo infinito de exemplificações.
Lucianne Hamilton é socióloga e realizou o curso de Monitor em Turismo no Roteiro Enoturístico Ferradura dos Vinhedos. Segundo ela, as vinícolas pertencentes à rota da Ferradura dos Vinhedos expressam uma organização dos fatores de produção, dos investimentos financeiros no negócio do vinho, que propiciam o crescimento econômico do município. Além do local também apresentar belezas naturais, riquezas históricas, culturais, gastronômicas, religiosas e sociais que podem ser exploradas turisticamente.

Luciana também comenta a importância da união entre Poder Público e empresas da cidade, para ela “é de extrema importância a união de esforços, entre empresários, Poder Público, envolvimento da sociedade civil para que esse roteiro seja uma realidade em nossa Fronteira, que possamos oferecer aos nossos visitantes o que temos de melhor referente a nossa cultura, nossos vinhos, nossa paisagem e também nossa gastronomia”.
*A Redação tentou entrar em contato com a Secretária de Turismo, porém a mesma se encontrava em uma viagem. O professor, no entanto, conta que já existe um diálogo sobre a Ferradura com o Executivo local.

Por: Bruna Bergamo - redacao@jornalaplateia.com - 25/02/2017 às 9:46

 

Deixe seu comentário